Editorial
DOI:
https://doi.org/10.67204/riel.v4i9.3108Palavras-chave:
Decolonialidade, Interseccionalidade, Corpo, Linguagem, Tecnologias Emergentes, LetramentosResumo
Editorial
Nesta edição, os textos reunidos convergem para uma reflexão urgente sobre as formas pelas quais corpos, vozes e territórios são atravessados por disputas históricas, simbólicas, tecnológicas e políticas. Em diferentes objetos, abordagens e tradições teóricas, os artigos aqui publicados partem de uma inquietação comum: como se produzem as hierarquias, as violências e as possibilidades de resistência no interior das práticas sociais, culturais e discursivas?
Ao longo da edição, emergem questões centrais da contemporaneidade, como a colonialidade, o racismo, o patriarcado, as pedagogias críticas, os letramentos e as mediações estéticas que transformam a experiência social em linguagem, arte e conhecimento. Se, por um lado, alguns trabalhos analisam a permanência de estruturas coloniais e suas reverberações na constituição subjetiva e na organização dos espaços sociais, por outro, há textos que evidenciam a potência da arte, da educação e da linguagem como formas de enfrentamento, reexistência e reelaboração crítica do mundo.
Nesse percurso, o corpo aparece não apenas como matéria biológica, mas como território de inscrição das normativas sociais, das violências institucionais e das resistências possíveis. A voz, por sua vez, surge como gesto de insubmissão, denúncia e afirmação identitária, seja na canção, no discurso pedagógico, na narrativa audiovisual ou na escrita acadêmica. Já o território, longe de se restringir a uma dimensão geográfica, assume contornos simbólicos e políticos, marcados por pertencimentos negados, fronteiras impostas e disputas por legitimidade.
A riqueza desta edição reside justamente na capacidade de articular temas aparentemente diversos em torno de um eixo de profunda atualidade: a luta por reconhecimento, por justiça social e por formas mais críticas, plurais e inclusivas de habitar a linguagem e o mundo. Em tempos de intensificação dos discursos de exclusão e de naturalização das desigualdades, os textos aqui reunidos reafirmam a importância da pesquisa, da leitura crítica e do pensamento interdisciplinar como instrumentos de análise e transformação.
Assim, esta edição da RIEL convida o leitor a percorrer um mosaico de investigações que, embora variadas em seus objetos, compartilham uma mesma direção ética e intelectual, a saber, compreender as tramas do presente para ampliar as possibilidades de escuta, diálogo e emancipação. Trata-se, em suma, de uma edição que pensa a crítica como forma de compromisso com a vida, com a diferença e com a construção de futuros mais justos.
Capa
A capa desta edição busca traduzir visualmente a indissociabilidade entre a existência física, a manifestação discursiva e o espaço de pertença. A fusão gráfica entre uma impressão digital e as curvas de nível de um mapa evoca a premissa de que o corpo é, em si, o primeiro território que habitamos e a partir do qual significamos o mundo.
As linhas que desenham a identidade de um sujeito são as mesmas que demarcam e disputam a terra, a cultura e a memória. Atravessando essa cartografia corporal e geográfica, as sutis linhas concêntricas representam as vozes e os sopros de linguagem que rompem o silêncio, cruzam fronteiras e reivindicam existências. Vozes que não flutuam no vazio, mas que ecoam de lugares sociais e geográficos bem determinados.
Em tons que remetem à terra e à ancestralidade, a composição visual convida o leitor a adentrar os artigos deste volume, compreendendo a linguagem não como uma estrutura abstrata, mas como prática viva, corporificada e profundamente territorializada.
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