Shadowban, Silenciamento e Exclusão Algorítmica
Palavras-chave:
Silenciamento, Shadowban, Algoritmização da Vida, Exclusão SocialResumo
Neste artigo exploramos o shadowban enquanto processo de silenciamento algorítmico como forma contemporânea de controle de corpos nas redes sociais, comparando-o à lenda racista do Negão da Macaúba, que estigmatizava homens periféricos negros. Analisamos como algoritmos opacos restringem visibilidade de perfis dissidentes sem notificação, perpetuando desigualdades raciais, de gênero e de classe. Baseado no caso judicial de Ferréz (2022), que obteve reconhecimento do shadowban no Instagram por violação ao Código de Defesa do Consumidor e Marco Civil da Internet, discutimos conceitos como sociedade do espetáculo (Debord, 1997), capitalismo de vigilância (Zuboff, 2021), racismo algorítmico (Noble, 2018; Silva, 2023, 2025), câmaras de eco (Cinelli et al., 2021) e hiperexposição (Han, 2017). Criticamos a opacidade das Big Techs, governança digital globalizada e limites da judicialização. Propomos, assim, transparência radical por meio de auditorias independentes, regulação anticolonial através de infraestrutura local, reparação por vieses e pedagogias críticas visando ao letramento contra-vigilância. Concluímos que combater o shadowban exige resistência coletiva para democratizar a visibilidade digital, rompendo hierarquias coloniais e transformando plataformas em arenas plurais.
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