https://ojs.ifsp.edu.br/riel/issue/feedRevista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem2026-10-13T19:25:44-03:00Editorriel@ifsp.edu.brOpen Journal Systems<p>A <strong>Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem</strong> (RIEL) fomenta o debate crítico e o intercâmbio científico em âmbito nacional e internacional entre as diferentes áreas de especialidades do conhecimento. Transdisciplinar, incentiva a intersecção entre a Linguística, Letras e Artes, e diversas áreas do saber.<br /><br />Ancora-se em uma perspectiva epistêmico-metodológica socialmente orientada cujo objetivo é contribuir para a divulgação e a visibilidade de trabalhos, pesquisas e a produção de conhecimento que articule os Estudos de Linguagem em sua relação com as práticas sociais, educacionais, históricas, culturais e políticas, dentre outras.</p>https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3134Como o Pensamento Penetra e Impregna o Espaço?2026-10-13T19:25:35-03:00Caio César Costa Santoscesarinmind@gmail.com<p class="p1">A filósofa Helena Roerich ([1930] 1979), certa vez, em sua obra <em>Infinito</em> disse afirmando que “o pensamento penetra e impregna o espaço”. Diante desta afirmação até então curiosa, resolvemos tecer algumas palavras sobre esta verdade. O método é fenomenológico. Nosso objetivo é trazer ao leitor leigo uma das verdades primordiais ás vezes não conhecida por muito seres - “como ser possível o pensamento penetrar a realidade do espaço”. Nossos resultados preliminares mostram que o pensamento, enquanto uma matéria fluida, além de penetrar o espaço invisível e abstrato, incorpora-se a ele, disseminando fluxos de energia psíquica e fluida mental em todos os organismos espaciais, profundos ou mesmo superficiais.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2942Revista EPARREI2026-10-13T19:25:44-03:00Laila Silvalaila.silvappb@gmail.comCristiane Freire Sácrisfsah@gmail.com<p class="p1"><span class="s2">Considerando a persistência do epistemicídio racial (Carneiro, 2005) e a carência de narrativas plurais nos materiais didáticos, este artigo tem como objetivo analisar a revista EPARREI<em>, </em>uma publicação independente editada por mulheres negras em Santos (SP),<span class="Apple-converted-space"> </span>como um instrumento paradidático de educação antirracista e decolonial (Rufino, 2021). Por meio de uma análise bibliográfica exploratória de exemplares físicos da revista, argumenta-se que sua produção e circulação no espaço da Casa de Cultura da Mulher Negra constituem uma prática de tensão pedagógica (Gomes, 2017) contra o discurso histórico hegemônico. O periódico opera como um material paradidático essencial, que promove o fortalecimento e reconhecimento da identidade negra ao resgatar e valorizar a história, a cultura e as lideranças negras, preenchendo as lacunas deixadas pelo silenciamento curricular. Conclui-se que iniciativas editoriais como a EPARREI, ao dar voz e visibilidade às produções intelectuais e artísticas da população marginalizada, são ferramentas cruciais para um projeto educativo que visa a descolonização dos saberes e a promoção da equidade racial reafirmando a potência da escrita independente como ato de resistência e reexistência.</span></p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3082A Verdade como Efeito do Discurso em Akutagawa2026-10-13T19:25:43-03:00José Galúcio Camposjose.campos@ifam.edu.brDaniel Richardson de Carvalho Senadrcsena@gmail.comSarah Vieira Gomes Diassaradanil780@gmail.comYana Evelin Saraiva da Silvayanaevelinsaraivadesouza@gmail.com<p class="p1">A noção do que é a verdade no interior de narrativas literárias frequentemente denota uma reconstrução objetiva dos fatos sob a ótica dos personagens, como é o caso do conto <em>Dentro do Bosque</em>, de Ryûnosuke Akutagawa. O presente escrito, por conseguinte, tem por objetivo examinar o respectivo conto à luz da hermenêutica de inspiração foucaultiana, evidenciando como a obra encena a verdade como produto de disputas discursivas e posições de poder. A construção do artigo se deu mediante pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico. A hermenêutica adotada é de inspiração genealógico-discursiva. Por meio do exame do conto <em>Dentro do Bosque</em>, demonstra-se que a hermenêutica genealógico-discursiva não é apenas aplicável à literatura, mas encontra nela um campo privilegiado de verificação e de problematização<span class="s1">.</span></p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3083Do Eu-Transcendental Ao Eu-Dialógico2026-10-13T19:25:41-03:00Anna Júlia Camargos Pennisiajcp.annajulia@gmail.com<p class="p1">Entre cosmovisões que indicam a modelização da ciência e da linguagem rumo a uma linearidade filosófica, Kant inaugura seu pensamento propondo a hermeticidade absoluta da razão em relação a historicidade, compreendendo de caminho impossível a apreensão do conceito a partir da externalidade. Criando um sujeito racional universalizado, Kant constrói uma estrutura nada dialógica, correspondente com os ânimos iluministas e modernos, mas dissidente da realidade concreta. É por isso que o Círculo de Bakhtin discorda e atualiza esta forma de perceber o sujeito perante o mundo, transformando o Eu-Transcendental (aquele que não toca em nada a não ser a interpretação da experiência por meio da racionalidade pura) em um Eu-Dialógico, que torna seu produto a percepção do sujeito em um contexto interativo. Este artigo, delineia o que há de Kant em Bakhtin e em quais pontos Bakhtin moderniza, renova e re-estrutura a arquitetônica kantiana, em uma troca entre filosofia e linguística dignos da análise dialógica do discurso.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3116Entre a Automação e a Autonomia2026-10-13T19:25:39-03:00Thiago Cosincosin.tc@gmail.com<p class="p1">Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições e os limites da Inteligência Artificial para a construção de uma formação docente emancipatória na Educação Básica, considerando as relações entre cultura digital, autonomia profissional e práticas pedagógicas críticas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-analítica e reflexiva, fundamentada em revisão bibliográfica de autores que discutem cultura digital, formação docente, tecnologias educacionais e teoria crítica da tecnologia. O referencial teórico articula contribuições de diferentes pensadores, além de documentos recentes da UNESCO sobre Inteligência Artificial na educação. Os resultados indicam que a IA apresenta potencial para apoiar processos de planejamento pedagógico, reflexão sobre a prática, análise de dados educacionais e tomada de decisão docente. Contudo, evidenciam-se desafios relacionados à dependência tecnológica, à padronização das práticas pedagógicas e à possível redução da autoria docente. Defende-se que a Inteligência Artificial somente assume um sentido emancipatório quando fortalece a autonomia profissional, a reflexão crítica e a capacidade de intervenção pedagógica dos professores, sem substituir sua condição de sujeitos do processo educativo. Conclui-se que a formação docente para a cultura digital deve ultrapassar perspectivas tecnicistas, promovendo o uso crítico, ético e contextualizado das tecnologias digitais em favor de uma educação democrática e emancipadora.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3118Corpos Desviantes, Governamentalidade e a Potência da Inclusão2026-10-13T19:25:38-03:00Rubens Lacerda de Sárubens.sa@unifesp.brGraziani França Claudino Aniceziograziani@ifto.edu.br<p class="p1">O presente artigo problematiza as tensões entre as políticas de inclusão escolar e as práticas de normalização que operam sob a lógica do biopoder. O objetivo central é analisar como o discurso da inclusão, muitas vezes, atua como um dispositivo de controle que busca a docilização de "corpos desviantes" para que estes se ajustem a padrões de produtividade e comportamento. Fundamentado na perspectiva teórica de Michel Foucault, Gilles Deleuze e na genealogia da ingovernabilidade de Grégoire Chamayou, o trabalho utiliza a escrevivência como potência metodológica para tencionar o papel do Plano de Ensino Individualizado (PEI). Argumenta-se que, ao romper com a visão patologizante do diagnóstico, o PEI pode ser reconfigurado como um mecanismo de biopotência e um mapa de possibilidades singulares. Conclui-se que a inclusão autêntica exige o reconhecimento da ingovernabilidade do sujeito como uma força ética e criativa, deslocando o foco do conserto do indivíduo para a abertura de novos paradigmas pedagógicos pautados na ética da diferença.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3127O Lugar das Pessoas Trans na Construção de Direitos e Cidadania na Educação Pública2026-10-13T19:25:37-03:00Edu Dias da Silvaedu_france2004@yahoo.frRenato de Oliveira Deringrenato@institutodering.com.br<p class="p1">Este artigo discute os limites da democracia brasileira na efetivação dos direitos das pessoas trans, com ênfase no contexto da escola pública. A partir da literatura crítica de autores como Butler (2018), Bento (2006; 2012) e Mbembe (2018), problematizando a exclusão institucional e simbólica vivida por pessoas trans, especialmente na educação básica. O texto articula teoria de gênero, cidadania e saberes docentes para refletir sobre os desafios e possibilidades de uma democracia radical e antitransfóbica. Conclui-se que a escola pode ser espaço estratégico para tensionar os pilares cisnormativos da democracia brasileira.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3139Gênero e Sexualidade no PPC de Pedagogia2026-10-13T19:25:34-03:00Hélvio Frankhelvio.oliveira@ueg.brJonatan Damascenojonatan.menezes@aluno.ueg.brLouise Leite Marotinholouiseleite.lk@aluno.ueg.br<p class="p1">Este estudo busca analisar discursiva e criticamente como se dão e se são mobilizados os termos gênero e sexualidade no currículo da licenciatura em Pedagogia de uma universidade pública, a partir da materialidade textual do Projeto Pedagógico do Curso (Doravante PPC). Por compreendermos o PPC do curso de Pedagogia como resultado dos interesses de uma comunidade em um espaço-tempo, e portanto, um documento que carrega conflito de interesses, optamos por utilizar como método a pesquisa documental com foco na análise dos textos/discursos existentes na Proposta, a fim de compreender a arquitetura dos enunciados. Os resultados apontam para a tímida inscrição textual-performativa das palavras gênero e sexualidade no currículo de licenciatura, as quais aparecem remotamente, contribuindo para uma formação inicial docente não discursivamente instigada a formalmente pensar e lidar com reflexões críticas sobre as diversidades sociais muito comuns em salas de aula contemporâneas.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3140Língua Brasileira e Letramento Racial2026-10-13T19:25:32-03:00Moisés Carlos Amorimmoisescarmorim@hotmail.comRaimundo Nonato Oliveiraraimundo.oliveira@unifesp.br<p class="p1">Considerando a urgência de ampliar os materiais didático-pedagógicos com o fito de valorizar a diversidade linguística e contribuir para uma educação antirracista, percebemos a necessidade de incorporar o letramento racial ao ensino de língua brasileira. Desta maneira, objetivamos analisar as contribuições das canções <em>Negro Limitado</em> (1992) e <em>Negro Drama</em> (2002), dos Racionais MC’s, para o ensino de língua brasileira na perspectiva do letramento racial e elaborar, a partir dessa análise, uma proposta de intervenção pedagógica para a educação básica. Para tanto, procedemos a uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e natureza bibliográfica, fundamentada na análise interpretativa das canções, a partir do arcabouço teórico do letramento racial e da compreensão da língua brasileira como construção histórica, social e cultural. Sendo assim, as análises apontam para a potencialidade dessa articulação entre o RAP e o ensino de língua brasileira na promoção de reflexões sobre racismo, identidade, memória e protagonismo negro, o que nos permite concluir que tais produções constituem recursos relevantes para uma educação antirracista, pois conferem ao povo preto voz, lugar e protagonismo na história. Destarte, a contribuição oferecida é a proposição de mais intervenções pedagógicas que integrem canções do RAP e outras manifestações culturais ao ensino de língua brasileira.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3148Tradwifes e Clean Girls como Instrumentos da Ideologia Conservadora2026-10-13T19:25:30-03:00Julia Dalboscojulia.dalbosco.96@gmail.comDenise Rosana da Silva Moraesdenisepedagoga@gmail.com<p style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, observa-se a crescente proliferação de discursos conservadores que circulam nos meios digitais e se infiltram nas práticas cotidianas, influenciando relações sociais e padrões de consumo. Estes discursos incluem visões ultrapassadas dos "papéis de gênero" e expressões padronizadas de feminilidade e masculinidade. Algumas análises sobre esse movimento atribuem essa mudança a uma crise econômica e política; entretanto, essas análises são insuficientes para analisar o fenômeno de maneira satisfatória. Neste trabalho, apresentamos o conceito de feminilidades párias, de Mimi Schippers, como ferramenta para analisar os recentes discursos conservadores que versam sobre o corpo feminino. Argumentamos que esses discursos surgem como uma resposta conservadora a avanços sociais e, a partir da análise de conteúdos produzidos por <em>tradwifes</em> e <em>cleangirls</em>, descrevemos como essas produções estão alinhadas ao pensamento conservador e quais suas consequências para a sociedade. O artigo estrutura-se em três seções: a primeira oferece uma introdução sobre a temática; em seguida, discute-se o sistema binário de gênero e as feminilidades a partir de Schippers; e, por fim, oferecemos uma breve análise sobre o avanço conservador ao longo da história e como, na atualidade, esse avanço se alinha com a produção de conteúdo das <em>tradwifes</em> e <em>cleangirls</em>.</p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagemhttps://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3223Editorial2026-10-13T19:25:24-03:00Rubens Lacerda Sárubens.sa@ifsp.edu.br<p class="p1">Este número da <em>Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem (RIEL)</em> proporciona um horizonte crítico na produção do conhecimento comprometido com a problematização das desigualdades, o questionamento das estruturas de poder e a construção de possibilidades de transformação social. Mais do que interpretar fenômenos, essa perspectiva convida a interrogar os modos pelos quais determinados discursos, práticas e instituições legitimam hierarquias, produzem silenciamentos e delimitam as condições de existência, participação e reconhecimento dos sujeitos. Por isso, reúne contribuições que, a partir de diferentes campos teóricos e objetos de investigação, exploram as relações entre linguagem, subjetividade, educação, tecnologia e sociedade. Os trabalhos abordam questões como a valorização da produção intelectual de mulheres negras, os efeitos discursivos da verdade, as relações entre filosofia e linguagem, os desafios éticos da inteligência artificial na qualificação docente e as tensões entre inclusão escolar, normalização e diferença.</p> <p class="p1">Integram igualmente esta edição reflexões sobre os direitos e a cidadania das pessoas trans na educação pública, a presença das questões de gênero e sexualidade na educação docente, o letramento racial por meio da produção musical dos Racionais MC’s e a circulação de discursos conservadores nas mídias digitais. O conjunto contempla, ainda, uma discussão filosófica sobre pensamento e espaço, ampliando o repertório de questões e perspectivas que atravessam a edição.</p> <p class="p1">A diversidade dos trabalhos evidencia que a emancipação não se reduz a uma concepção única de pesquisa ou a um programa teórico homogêneo. Antes, constitui um campo de disputas epistemológicas, políticas e pedagógicas no qual se confrontam diferentes interpretações da realidade e se tornam visíveis os limites das explicações hegemônicas. Nesse movimento, a linguagem assume papel central, tanto na reprodução das relações de poder quanto na abertura de espaços para a reexistência, a alteridade e a emergência de outras formas de compreender e transformar o mundo.</p> <p class="p1">Alinhado ao compromisso da RIEL com a circulação plural do conhecimento e com o diálogo interdisciplinar, esperamos que os estudos aqui reunidos contribuam para ampliar o debate acadêmico, estimular novas investigações e fortalecer práticas de pesquisa social comprometida com a dignidade humana, a justiça social e a democratização dos saberes.</p> <p class="p1"><strong>Capa:</strong> A obra de Joan Miró, escolhida como capa deste número dialoga com a proposta da RIEL visto que ambas são marcadas pela expressividade das formas, pela multiplicidade de cores e pela ruptura com representações convencionais. Da mesma maneira que a composição artística da capa desafia interpretações unívocas, a pesquisa social emancipatória interroga certezas, tensiona hegemonias e abre caminhos para perspectivas outras de ser-estar no mundo para produção de conhecimento e transformação social.</p> <p class="p1"> </p>2026-10-13T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem