Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://ojs.ifsp.edu.br/riel <p>A <strong>Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem</strong> (RIEL) fomenta o debate crítico e o intercâmbio científico em âmbito nacional e internacional entre as diferentes áreas de especialidades do conhecimento. Transdisciplinar, incentiva a intersecção entre a Linguística, Letras e Artes, e diversas áreas do saber.<br /><br />Ancora-se em uma perspectiva epistêmico-metodológica socialmente orientada cujo objetivo é contribuir para a divulgação e a visibilidade de trabalhos, pesquisas e a produção de conhecimento que articule os Estudos de Linguagem em sua relação com as práticas sociais, educacionais, históricas, culturais e políticas, dentre outras.</p> Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo pt-BR Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem 2674-6344 <p>Direitos® 2025 RIEL</p> <p><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" target="_blank" rel="license noopener"><img src="https://i.creativecommons.org/l/by-nc/4.0/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a></p> <p>Sob a égide da Lei º 9.610/1998 que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais no Brasil, a <strong>Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem</strong> (RIEL) ressalta a natureza de acesso livre da revista e exige que todos e todas que submetem manuscritos a este periódico observem princípios éticos e respeitem o direito de propriedade intelectual sobre a obra em tela.</p> <p>Portanto, declaram-se titulares da propriedade dos direitos autorais do manuscrito submetido e, por conseguinte, não infringem direitos autorais, de imagem e outros direitos de propriedade de terceiros. Logo, assumem integral responsabilidade moral ou patrimonial, pelo seu conteúdo, perante terceiros.</p> <p>Desse modo, autorizam, cedem e transferem à <strong>Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem</strong> (RIEL) o direito de edição, de publicação, de tradução para outra língua e de reprodução por qualquer processo ou técnica do manuscrito submetido sem direito exigência de qualquer tipo de remuneração.</p> Editorial https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3035 <p class="p1"><span class="s1"><strong>Editorial<br /></strong></span></p> <p class="p1">A presente edição reúne artigos que, embora situados em campos distintos, convergem para uma mesma tese, a saber, a educação é uma prática ética, crítica e socialmente comprometida. No cárcere, na escola e no ensino de línguas, os textos evidenciam que ensinar implica acolher sujeitos concretos, atravessados por desigualdades, violências e silenciamentos, e criar condições para que possam falar, aprender existir e reexistir.</p> <p class="p1">No contexto prisional, lemos sobre a urgência de ações voltadas ao fortalecimento da subjetividade através da produção de narrativas autobiográficas como forma de ressignificar experiências de sofrimento. A leitura, nesses textos, não aparece como atividade acessória, mas como prática humanizadora e anticolonial, capaz de abrir fissuras na lógica disciplinar e de transformar a cela em espaço de hospitalidade, cuidado e reinvenção de si. Isso implica em sensibilidade e a atenção às inúmeras vulnerabilizações de pessoas em privação de liberdade quais dimensões centrais de uma práxis educacional mais equitativa e pautada pela justiça social.</p> <p class="p1">No ambiente escolar, a convivência ética e a avaliação surgem como contrapontos a modelos classificatórios e excludentes. Sobre convivência escolar lemos que o racismo e o desengajamento moral não são desvios pontuais, mas mecanismos cotidianos de desumanização, exigindo uma educação antirracista capaz de sustentar o pacto civilizatório e a dignidade das adolescências.</p> <p class="p1">Outros textos salientam que é preciso dialogar criticamente com as TDICs e a inteligência artificial, reconhecendo textos digitais como objetos legítimos de ensino e os multiletramentos como condição para uma aprendizagem significativa. Também os discursos sobre a harmonização estética revelam tensões semelhantes entre autonomia e normatização. Ao analisar como a beleza é discursivamente construída, aprendemos sobre a força dos dispositivos de poder que regulam corpos e subjetividades, naturalizando padrões e desigualdades sob a linguagem da liberdade e do bem-estar.</p> <p class="p1">Em conjunto, os manuscritos deste número reafirmam que educar é intervir no real com responsabilidade crítica, promovendo saberes, relações e práticas orientadas pela justiça social, pelo respeito à diversidade e pela transformação humana.<br /><br /></p> <p class="p1"><span class="s1"><strong>Capa</strong></span></p> <p class="p1"><em>Il mondo difficile</em>, obra de Bruno Catalano®, traduz visualmente o conjunto de ideias no editorial. A figura fragmentada, suspensa entre presença e ausência, sugere um sujeito em trânsito, marcado por perdas, deslocamentos e incompletude, mas ainda em movimento.</p> <p class="p1">Como nas produções enviadas, o corpo não aparece como unidade estável, pois ele é atravessado por cortes, faltas e pressões externas, mas continua carregando sua história e sua resistência. Nesse sentido, essa imagem funciona como metáfora da condição contemporânea narrada pelos textos, a saber, pessoas racializadas, encarceradas, migrantes, etc. são frequentemente empurradas para margens sociais que as fragmentam, mas não as anulam.</p> <p class="p1">O vazio deixado no corpo escultórico também pode ser lido como espaço de memória, voz e reexistência, isto é, o mesmo espaço que a leitura, a escuta e a convivência ética tentam reabrir.</p> <p class="p2"> </p> Rubens Lacerda de Sá Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 1 1 Uma Leitura Implicada de O Pesquis-a-dor Social https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2934 <p class="p1">Esta resenha tem como objetivo analisar criticamente a obra <em>Pesquis-a-dor Social nos Estudos de Linguagem</em>, destacando seus principais eixos teóricos e éticos. A coletânea propõe uma reflexão aprofundada sobre o fazer científico, questionando a ideia de neutralidade na pesquisa e enfatizando o papel do pesquisador como sujeito histórico, implicado nas escolhas teóricas, metodológicas e discursivas que atravessam a produção do conhecimento. Ao longo da leitura, são discutidas questões centrais como linguagem, educação, ética, decolonialidade e responsabilidade na representação do outro. A resenha percorre os diferentes capítulos da obra, buscando oferecer ao leitor um panorama geral dos debates propostos, ao mesmo tempo em que evidencia os deslocamentos teóricos e pessoais provocados pela leitura. Ao assumir uma escrita implicada, o texto destaca como a obra convoca o leitor-pesquisador a refletir sobre seu lugar na pesquisa e sobre as consequências éticas de seu dizer, compreendendo a investigação científica como prática intelectual, social e profundamente humana.</p> Monica Bowee Wenger Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 204 208 Qualis, Frutos Não-indexados https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2936 <p class="p1">Este texto apresenta uma crônica de caráter alegórico sobre a produção e a circulação do conhecimento, tensionando os critérios tradicionais de legitimação acadêmica, como indexação, autoria e prestígio institucional. A partir de uma experiência sensível e simbólica, o texto constrói a imagem do saber como algo vivo, relacional e coletivo, que se produz no encontro entre corpos, histórias e necessidades concretas. Ao mobilizar elementos da literatura e da crítica epistemológica, a escrita questiona hierarquias do conhecimento e sugere outras formas de pensar aprendizagem, ciência e partilha, deslocando a centralidade da vaidade e da disputa para a responsabilidade ética de nutrir o outro.</p> Laura Gomes de Andrade Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 209 214 Agradecer Para Ficar, Dizer Não Para Existir https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2947 <p class="p1">Neste ensaio apresento uma releitura brechtiana de <em>A Alma Boa de Tse-Tsuan</em>, adaptada ao contexto migratório atual, com Sofía, refugiada venezuelana no Brasil. Por meio de três microcenas teatrais épicas: <em>Chegada</em>, <em>Obrigada</em> e <em>Não</em>, exploro a gratidão compulsória como dispositivo de obediência e controle sobre corpos migrantes, exigida para sobrevivência em cenários de desigualdade. O <em>coro-rap</em> representa normas sociais coercitivas, enquanto o <em>não</em> de Sofía rompe o ciclo de submissão, promovendo estranhamento crítico. Inspirado no teatro épico, no texto rejeito identificação emocional, convidando à análise política, a saber, agradecer para ficar ou dizer não para existir? Desse modo, reafirmo o teatro como espaço de aprendizado confrontacional, questionando hábitos opressivos e imaginando resistências.</p> Laureen Gabriele Mallmann Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 215 222 Os Tipos de Avaliação e Suas Contribuições Para o Processo de Ensino e Aprendizagem da Língua Inglesa https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2929 <p><span style="font-weight: 400;">Avaliar é uma ação inerente à experiência humana que está formalmente estruturada no ambiente escolar como uma prática pedagógica intencional. No ensino de Língua Inglesa, conhecer e refletir sobre os modelos avaliativos se torna relevante para que abordagens classificatórias possam ser aprimoradas ou superadas. Assim, este artigo busca compreender os tipos de avaliação (diagnóstica, formativa e somativa) e analisar suas contribuições para o processo de ensino e aprendizagem na educação básica brasileira, especificamente para o ensino de inglês. Por meio de uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica, fundamentada em autores referenciais e documentos oficiais, o estudo examina como a articulação consciente entre essas modalidades pode reorientar a prática avaliativa. Os resultados apontam que, embora a avaliação somativa ainda predominante limite o desenvolvimento de competências comunicativas integrais, a valorização das funções diagnóstica e formativa se apresenta como um caminho viável para aliar a avaliação a um projeto pedagógico mais reflexivo e inclusivo para o ensino da língua.</span></p> Vander Aparecido de Castro Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 2 17 Crítica e Narrativas Anticoloniais na Cela-de-Aula https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3036 <p class="p1">Considerando a persistente colonialidade do poder-saber-ser-prisão que silencia narrativas de pessoas privadas de liberdade em favor de modelos educacionais padronizados, como o rouxinol mecânico da fábula de Andersen (1843/2005), neste ensaio identifico o déficit de práticas emancipatórias no sistema penitenciário brasileiro. Desta maneira, meu objetivo é apresentar um projeto de clubes de leituras em penitenciárias do Estado de São Paulo, que promove a remição de pena através da produção de resenhas narrativas anticoloniais e autobiográficas que resgatam vozes silenciadas. A proposta é metodologicamente aplicada, participativa, fenomenológica e praxiológica por meio da seleção de obras, mediação de debates e validação de resenhas por bancas, com encaminhamento judicial para remição. O arcabouço teórico inclui narrativas autobiográficas (Lechner, 2012, 2023), ética do cuidado (Heidegger, 2008; Sá, 2023), educação como prática da liberdade (Freire, 1983), práxis anticolonial (Cusicanqui, 2021) e a plataforma foucaultiana (Foucault, 1987). Portanto, minhas percepções apontam para a emergência de vozes periféricas como atos performativos de resistência epistêmica, subvertendo a hiperinvisibilização e colonialidades de poder-saber-ser-prisão, além da ressignificação da cela-de-aula em <em>locus</em> de hospitalidade incondicionada e humanização, beneficiando apenados, a comunidade e epistemologias situadas com impacto transdisciplinar.</p> Rubens Lacerda de Sá Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 18 40 Convivência Escolar na Berlinda? https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2946 <p><span style="font-weight: 400;">A escola é um território potente para as convivências, portanto um local por excelência para a construção diária da convivência ética diante de todos os conflitos que ela, a escola, apresenta para além da Educação nos encontros entre estudantes, professoras/es, gestão escolar, família e trabalhadoras/es do chão da escola. O que propomos com a pergunta que é o título deste artigo chamado Convivência Escolar na Berlinda? é observar sobre as lupas de Bandura (2015), Gomes (2007), Bento (2022), Ferreira (2015), Kabengele (2000), Vinha (2019), Tognetta et al (2014) como o desengajamento moral de Bandura (2015) aporta lastro teórico para implicar a reflexão sobre os casos de violências e degradação das adolescências nas escolas (Tognetta et al., 2014; Vinha, 2019). Para o desenho do percurso metodológico, delimitamos, como recorte deste artigo, um dos casos de racismo no Colégio</span><em><span style="font-weight: 400;"> Mackenzie</span></em><span style="font-weight: 400;">, que ganhou repercussão nacional em maio de 2025 e, por isso,&nbsp; permite entender os meandros de como a escola também se apresenta como território da perpetuação da violência racial e práticas racistas (Kabengele, 2000; Gomes, 2007; Ferreira,&nbsp; &nbsp; 2015; Bento, 2022) que afetam vidas adolescentes de estudantes preta/os e tem sido, ao longo das últimas décadas, uma preocupação e desafio para a formulação de políticas públicas no território escolar sobre o desengajamento moral e a desumanização das adolescências pela violência racial no chão da escola.</span></p> Robson de Sousa Adriana Regina Braga Carlos José Lírio Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 41 52 Coordenação Comitativa no Crioulo da Guiné-Bissau e no Português Europeu https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2998 <p>Neste estudo, analisamos comparativamente a sintaxe da coordenação comitativa no crioulo da Guiné-Bissau (língua guineense, LG) e no português europeu (PE), com base em Camacho (2000), Colaço (2003, 2005), Matos e Raposo (2013), Brito et al. (2015), Kihm (1994), Scantamburlo (1999, 2002). A comparação mostra que <em>com</em> (PE) e <em>ku</em> (LG), apesar de partilharem traços comitativos, apresentam graus distintos de gramaticalização e propriedades sintáticas significativamente divergentes. <em>Ku </em>encontra-se amplamente gramaticalizado como conjunção coordenativa, ao contrário de <em>com </em>do PE, que mantém um estatuto híbrido e marginal. Além disso, a coordenação comitativa na LG está estruturalmente estável e categorialmente condicionada, refletindo um percurso avançado de gramaticalização próprio das <em>with-languages; </em>enquanto que, em PE, que se enquadra no grupo das <em>and-languages, </em>depende de requisitos semânticos como resultatividade ou simetria entre participantes.</p> <p>&nbsp;</p> Ronaldo Mendes Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 53 74 Discursos na Harmonização Estética https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2950 <p>Este artigo examinou os enunciados a respeito da harmonização estética, indagando a tensão entre a autenticidade e os padrões sociais de beleza. Por meio da Análise do Discurso, com base em Bakhtin, Foucault e Orlandi, investigou-se como a estética normatiza e controla identidades. A análise de enunciados em websites e redes sociais revelou a relação complexa entre liberdade e imposições sociais. O estudo destacou a interação dialógica e a construção da identidade estética em um contexto de medicalização e influência digital. Os resultados mostraram que a harmonização estética, apesar de promover bem-estar, perpetua ideais de beleza e desigualdades. A pesquisa contribuiu para a reflexão crítica sobre a estética contemporânea e sua interação constante entre os discursos sociais e a subjetividade.</p> Walteir Alves Magalhães Pedro Henrique da SIlva Neves Erly Guilherme Azevedo Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 75 92 Para Além do Técnico https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3001 <p class="p1">Este artigo discute o ensino de inglês e espanhol no Instituto Federal da Bahia (IFBA) e propõe uma mudança de paradigma: de uma abordagem instrumental tecnicista para uma abordagem fundamentada na perspectiva de Língua Franca. O cenário mundial e a conectividade digital afetaram profundamente o nosso contato com a alteridade. Nesse contexto, a expansão das línguas de alcance global torna essencial uma educação linguística descentralizada, humana, crítica e intercultural. Fundamentado teoricamente em conceitos de língua franca (Panero, 2024) e de comunicação intercultural (Kramsch, 2009), o trabalho analisa publicações e relatos docentes que revelam tensões entre a tradição normativa e as demandas de uma prática situada, que tem se realizado por meio da subversão parcial de ementas consideradas inadequadas. A partir desses achados, o artigo propõe uma abordagem que privilegia a negociação de sentidos, o diálogo intercultural e a valorização da identidade linguacultural do aprendiz - elementos que promovem maior engajamento e o reconhecimento da função sociopolítica de línguas adicionais. Conclui-se que o fortalecimento de uma perspectiva de língua franca no IFBA é solo fértil para a formação de cidadãos capazes de mediar encontros culturais com ética e respeito à diversidade.</p> Juliana Souza da Silva Camilla Santero Pontes Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 93 116 A Linguística Textual e as Tecnologias no Ensino de Português https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/2986 <p>Este trabalho analisa a relação entre a Linguística Textual, os multiletramentos e a Inteligência Artificial (IA) no ensino de Língua Portuguesa. Com base em Rojo (2012, 2013), Bakhtin (1988), Koch (2011), Marcuschi (2008), Lévy (1999), Moran (2015), Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004) e outros, discute-se como a tecnologia digital e a IA automatizam a multiplicidade de semioses e a diversidade cultural, exigindo novas práticas pedagógicas. Defende-se a utilização de sequências didáticas como estratégia para sistematizar o ensino de gêneros multimodais e mediar a interação crítica com ferramentas tecnológicas. Ao reconhecer o texto digital como objeto legítimo de ensino e valorizar práticas situadas e colaborativas, o docente possibilita o desenvolvimento de competências cognitivas e discursivas essenciais na cultura digital. Conclui-se que o ensino de Língua Portuguesa, amparado por processos avaliativos contínuos e formativos, é fundamental para enfrentar os desafios da IA no campo educacional. Dessa forma, contribui-se para a formação de sujeitos críticos, autônomos e socialmente participativos, capazes de atuar de maneira ética, consciente e responsável em uma sociedade cada vez mais mediada por tecnologias de automação informativa.</p> Ana Maria Gouveia Cavalcanti Aguilar Evaldo Souza Leão Leonardo Júlio Ardaia Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 117 131 Ensinando Língua Inglesa com The Little Prince e suas (Re)traduções https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3003 <p><span style="font-weight: 400;">O ensino de línguas estrangeiras sob a visão da Abordagem Comunicativa tende a excluir textos traduzidos por considerá-los distantes da língua autêntica (Romanelli, 2009). Este artigo propõe uma desconstrução dessa noção através dos pressupostos da retradução. Retradução pode ser definida como uma tradução feita após a primeira tradução de uma obra (Mattos e Faleiros, 2014). Obras traduzidas e retraduzidas representam padrões linguísticos, culturais e sociais da cultura-alvo, sendo, portanto, representações autênticas da língua em uso (Venuti, 2023). O objetivo central do artigo é demonstrar que o ensino de línguas estrangeiras, mais especificamente o ensino da língua inglesa, pode ser favorecido com o uso de textos (re)traduzidos. Para tal, foram analisados excertos extraídos de quatro versões da obra </span><em><span style="font-weight: 400;">The Little Prince</span></em><span style="font-weight: 400;">: as traduções estadunidenses de Katherine Woods (1943) e Richard Howard (2000) e as britânicas de Alan Wakeman (1995) e Michael Morpurgo (2018). A metodologia consistiu na seleção e alinhamento de excertos das obras com anotações baseadas em gramática, semântica e léxico. Os resultados indicam contrastes sistemáticos entre as variantes, envolvendo questões de tempos verbais, além de distintas estratégias de construção das personagens e escolhas lexicais que veiculam diferentes graus de afeto, formalidade ou marcação de gênero.</span></p> Aline Barreto Drumond Costa Braga Kamila Fernanda da Cruz Carmo Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 132 146 Crisis de la Educación y Debilidades del Conocimiento https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3032 <p class="p1">El panorama educativo italiano contemporáneo refleja las transformaciones sociales, económicas y tecnológicas actuales, distinguiendo entre «sociedad de la información» y «sociedad del conocimiento». La difusión de herramientas digitales, redes sociales y web ha democratizado el acceso a la información, pero genera la ilusión de conocimiento sin interpretación crítica de expertos, que transforma datos en comprensión auténtica. El sistema educativo juega un rol central al fomentar el pensamiento crítico y el juicio en los estudiantes, dotándolos de herramientas para analizar, evaluar y convertir información en saber genuino. Reflexionando con pedagogos contemporáneos, se reconstruye el valor de la experiencia en una pedagogía de la complejidad que supera la fragmentación disciplinaria y conecta conocimientos en una visión global. Nuevas emergencias educativas, agravadas por la pandemia de Covid-19, han acentuado desigualdades materiales, digitales y relacionales, afectando especialmente a los más vulnerables e incrementando el abandono escolar. Esto ha propiciado una «pedagogía pandémica» que amenaza la capacidad crítica y la conciencia histórica, favoreciendo ignorancia y manipulación. No obstante, el objetivo educativo principal persiste: desarrollar en los estudiantes competencias críticas, cognitivas y transformadoras para formar ciudadanos conscientes, responsables y resistentes a opresiones culturales y políticas.</p> Enrico Bocciolesi Eufrasio Pérez Navío Elena Moretti Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 147 164 Shadowban, Silenciamento e Exclusão Algorítmica https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3033 <p class="my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2">Neste artigo exploramos o <em>shadowban</em> enquanto processo de silenciamento algorítmico como forma contemporânea de controle de corpos nas redes sociais, comparando-o à lenda racista do <em>Negão da Macaúba</em>, que estigmatizava homens periféricos negros. Analisamos como algoritmos opacos restringem visibilidade de perfis dissidentes sem notificação, perpetuando desigualdades raciais, de gênero e de classe. Baseado no caso judicial de Ferréz (2022), que obteve reconhecimento do <em>shadowban</em> no Instagram por violação ao Código de Defesa do Consumidor e Marco Civil da Internet, discutimos conceitos como sociedade do espetáculo (Debord, 1997), capitalismo de vigilância (Zuboff, 2021), racismo algorítmico (Noble, 2018; Silva, 2023, 2025), câmaras de eco (Cinelli et al., 2021) e hiperexposição (Han, 2017). Criticamos a opacidade das Big Techs, governança digital globalizada e limites da judicialização. Propomos, assim, transparência radical por meio de auditorias independentes, regulação anticolonial através de infraestrutura local, reparação por vieses e pedagogias críticas visando ao letramento contra-vigilância. Concluímos que combater o <em>shadowban</em>&nbsp;exige resistência coletiva para democratizar a visibilidade digital, rompendo hierarquias coloniais e transformando plataformas em arenas plurais.</p> Rubens Lacerda de Sá Ricardo Medeiros Priuli Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 165 187 Reflexividade Para Além dos Papéis Temáticos https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3034 <p class="p1">Neste trabalho reavalia-se a classificação tradicional das construções reflexas com -<em>se</em> no português europeu, argumentando que a categoria dos chamados “pseudoreflexos” tem sido excessivamente ampliada. A partir da crítica à abordagem baseada em papéis temáticos, demonstra-se que verbos de alternância causativa, verbos psicológicos e reflexos inerentes não devem ser automaticamente associados à inacusatividade. Em vez disso, adota-se o modelo de thetafeatures de Reinhart (2000), que permite analisar a reflexividade como uma operação de redução argumental, distinguindo-a de fenómenos superficiais como passivas e construções impessoais. A análise mostra que muitos verbos tradicionalmente considerados pseudoreflexos exibem propriedades sintáticosemânticas compatíveis com verdadeira reflexividade, sobretudo quando se considera a interação entre causalidade, agentividade e operações lexicais. Assim, propõe-se uma recategorização que restringe a noção de pseudoreflexo às construções não reflexas (passivas, impessoais e alguns usos recíprocos), defendendo que a reflexividade deve ser entendida como um potencial estrutural mais amplo.</p> Luís Trigo Direitos autorais (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2026-02-28 2026-02-28 4 8 188 203