Usos dos livros como fonte nas pesquisas em Educação

algumas considerações sobre os limites e possibilidades

Autores

  • Andreza Pereira Universidade Federal de São Paulo
  • Reginaldo Virginio da Silva Filho Universidade Federal de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.47734/rce.v6iFC.2679

Palavras-chave:

Livro, Sociologia da Educação, História da Educação, Gênero, Cultura escolar

Resumo

Este artigo se ocupa da discussão sobre o lugar que os livros podem ocupar como fonte nas pesquisas em Educação partindo das pesquisas realizadas pelos autores. Para isso, debruça-se sobre trabalhos que abordam questões epistemológicas e metodológicas das investigações realizadas nesta área, além de se valer de trabalhos da história da escrita e da leitura para chegar ao conceito de “livro”. Neste trabalho, foi necessário diferenciar os diferentes usos feitos dos livros, destacando a distinção entre objeto, manual e fonte de pesquisa. Por meio da apresentação da utilização destes documentos como fontes em pesquisas que tratavam de questões de gênero na escola e da reconstrução histórica de práticas docentes, chega-se à conclusão de que os livros se constituem como poderosos instrumentos para a compreensão do fenômeno estudado, porém este deve estar alinhado aos objetos e objetivos da pesquisa para ser aproveitado corretamente.

Biografia do Autor

Andreza Pereira, Universidade Federal de São Paulo

Licenciatura em Pedagogia

Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Guarulhos, SP, Brasil.

Reginaldo Virginio da Silva Filho, Universidade Federal de São Paulo

Licenciatura em Pedagogia

Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Guarulhos, SP, Brasil.

Referências

ANDRADE, T. G. S. Menina não entra. Ilustrações: PESTILI, E. São Paulo: Editora do Brasil, 2007.

ANDRÉ, M. Pesquisa em educação: buscando rigor e qualidade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 113, p. 51-64, jul. 2001. Disponível em: https://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/599. Acesso em: 29 jun. 2024.

ARRUDA, J. C.; FINCO, D. Fake News e os Desafios do Trabalho Docente Frente às Questões de gênero e sexualidade na creche. In: IX CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2023, João Pessoa. Anais [...]. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/97437. Acesso em: 12 set. 2025.

BRANCO, S. Por que meninos têm pés grandes e meninas têm pés pequenos?. Ilustrações: ELMA. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

BENTO, M. A. S. (org.). Educação infantil, igualdade racial e diversidade: aspectos políticos, jurídicos, conceituais. São Paulo: Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades - CEERT, 2012.

BORBA, S.; VALDEMARIN, V. T. A construção teórica do real: uma questão para a produção do conhecimento em educação. Currículo sem Fronteiras, v. 10, n. 2, p. 23-37, jul./dez. 2010. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras.org/vol10iss2articles/borba-valdemarin.htm. Acesso em: 29 jun. 2024.

BOTTON, A.; NEVES STREY, M. O gendramento da infância através dos livros infantis: possíveis consequências em meninos e meninas. Perspectiva, Florianópolis, v. 33, n. 3, p. 915-932, set./dez. 2015. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/2175-795X.2015v33n3p915. Acesso em: 29 jun. 2024.

BRENMAN, I. O que os meninos fazem? O que as meninas fazem?. Ilustrações: LIMA, G. Barueri, SP: Callis, 2008.

CARRASCO, W. Meus dois pais. Ilustrações: MATSUSAKI, A. São Paulo: Moderna, 2010.

CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador - conversações com Jean Lebrun. Trad. MORAES, R. C. C. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Editora UNESP, 1998.

CHARTIER, R. A História Cultural: entre práticas e representações. Trad. GALHARDO, M. G. 2. ed. Oeiras, Portugal: DIFEL - Difusão Editorial, 2002a.

CHARTIER, R. Os desafios da escrita. Trad. MORETTO, F. São Paulo: Editora UNESP, 2002b.

CHARTIER, R. A história ou a leitura do tempo. Trad. ANTUNES, C. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

CHARTIER, R. A “nova” História Cultural. In: GARNICA, A. V. M. (org.). Pesquisa em História da Educação Matemática no Brasil: sob o signo da pluralidade. São Paulo: Livraria da Física, 2014, p. 19-36.

CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Trad. LOURO, G. L. Teoria & Educação, n. 2, p. 177-229, 1990.

DIONÍSIO, A. P.; MUNAKATA, K.; RAZZINI, M. P. G. Simpósio 6 - O livro didático e a formação de professores. In: MARFAN, M. A. (org.). Congresso Brasileiro de Qualidade na Educação: formação de professores - Simpósios. Brasília, DF: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental, 2002, p. 89-102. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17065. Acesso em: 6 jul. 2024.

EL FAR, A.; HIKIJI, R. S. G. Entrevista com Alan Sokal. Entre a paródia e a denúncia: trajetos de dois físicos nos bosques das humanidades. Revista de Antropologia, v. 41, n. 1, p. 215-233, 1998. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ra/a/kTRHZCmDYr4pygLxwSL7VJD/?lang=pt. Acesso em: 12 set. 2025.

FINCO, D.; SEVESO, G. Estereótipos de gênero e sexismo linguístico presentes nos livros no contexto educativo para crianças. Zero-a-Seis, Florianópolis, v. 20, n. 37, p. 206-220, jan./jun. 2018. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/zeroseis/article/view/1980-4512.2018v20n37p206. Acesso em: 29 jun. 2024.

GABRIEL, N. C. Literatura infantil sobre príncipes e princesas e a educação da infância: gênero sob a ótica das crianças. 2018. 104 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2018. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/52727. Acesso em: 17 set. 2025.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GINZBURG, C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. Trad. AMOROSO, M. B. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

JULIA, D. A cultura escolar como objeto histórico. Trad. SOUZA, G. Revista Brasileira de História da Educação, v. 1, n. 1, p. 9-43, jan./jun. 2001. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/rbhe/article/view/38749. Acesso em: 29 jun. 2024.

LACAPRA, D. O queijo e os vermes: o cosmo de um historiador do século XX. Trad. SAMMER, R.; DUARTE, J. Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro, v. 16, n. 30, p. 293-312, jan./jun. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2237-101X016030011. Acesso em: 7 mai. 2024.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

LEME DA SILVA, M. C.; VALENTE, W. R. Na oficina do historiador da educação matemática: cadernos de alunos como fontes de pesquisa. Belém, PA: Sociedade Brasileira de História da Matemática, 2009. (Coleção História da Matemática para Professores; 19). Disponível em: https://www.crephimat.com.br/livrosdeminicursos. Acesso em: 22 mai. 2024.

LENAIN, T. Ceci tem pipi?. Ilustrações: DURAND, D. Trad. JAHN, H. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.

LENAIN, T. Os beijinhos da Ceci. Ilustrações: DURAND, D. Trad. JAHN, H. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2010.

ORUÊ, G. R. V. História das disciplinas escolares e suas contribuições para a história da educação matemática. ACERVO - Boletim do Centro de Documentação do GHEMAT-SP, São Paulo, v. 4, p. 1-24, 2022. Disponível em: https://ojs.ghemat-brasil.com.br/index.php/ACERVO/article/view/61. Acesso em: 23 mai. 2024.

PARR, T. Tudo bem ser diferente. Ilustrações: PARR, T. São Paulo: Panda Books, 2002.

PESCE, L.; BARSOTTINI, C. Tipos de pesquisa científica e instrumentos. Material didático elaborado para o curso de Especialização em Prevenção ao uso indevido de drogas. UNIFESP - UAB, mimeo, 2012.

ROSA, S. O menino Nito: então homem chora, ou não?. Ilustrações: TAVARES, V. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

SCOTT, J. W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721. Acesso em: 29 jun. 2024.

SOUZA, C. A princesa que salvava príncipes. Ilustrações: AMMIRATI, C. Barueri, SP: Callis, 2010.

WARDE, M. J.; OLIVEIRA, F. R. (org.). História da educação: sujeitos, objetos e práticas. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2022. (Coleção PPGE; 6). Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/66026. Acesso em: 17 set. 2025.

XAVIER FILHA, C. Gênero, corpo e sexualidade nos livros para a infância. Educar em Revista, Curitiba, v. 30, Edição Especial n. 1, p. 153-169, mai. 2014. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/36546/22543. Acesso em: 4 jun. 2024.

Downloads

Publicado

02/20/2026

Como Citar

PEREIRA, A. F.; SILVA FILHO, R. V. da. Usos dos livros como fonte nas pesquisas em Educação: algumas considerações sobre os limites e possibilidades. Revista Ciência em Evidência , [S. l.], v. 6, n. FC, p. e025010, 2026. DOI: 10.47734/rce.v6iFC.2679. Disponível em: https://ojs.ifsp.edu.br/cienciaevidencia/article/view/2679. Acesso em: 21 fev. 2026.