Tradwifes e Clean Girls como Instrumentos da Ideologia Conservadora
DOI:
https://doi.org/10.67204/riel.v4i10.3148Palavras-chave:
Feminilidades Párias, Discursos Conservadores, Mídias Digitais, TradwifesResumo
Nos últimos anos, observa-se a crescente proliferação de discursos conservadores que circulam nos meios digitais e se infiltram nas práticas cotidianas, influenciando relações sociais e padrões de consumo. Estes discursos incluem visões ultrapassadas dos "papéis de gênero" e expressões padronizadas de feminilidade e masculinidade. Algumas análises sobre esse movimento atribuem essa mudança a uma crise econômica e política; entretanto, essas análises são insuficientes para analisar o fenômeno de maneira satisfatória. Neste trabalho, apresentamos o conceito de feminilidades párias, de Mimi Schippers, como ferramenta para analisar os recentes discursos conservadores que versam sobre o corpo feminino. Argumentamos que esses discursos surgem como uma resposta conservadora a avanços sociais e, a partir da análise de conteúdos produzidos por tradwifes e cleangirls, descrevemos como essas produções estão alinhadas ao pensamento conservador e quais suas consequências para a sociedade. O artigo estrutura-se em três seções: a primeira oferece uma introdução sobre a temática; em seguida, discute-se o sistema binário de gênero e as feminilidades a partir de Schippers; e, por fim, oferecemos uma breve análise sobre o avanço conservador ao longo da história e como, na atualidade, esse avanço se alinha com a produção de conteúdo das tradwifes e cleangirls.
Referências
Barclay, M. L., & Padilla, M. (2025, September 25). Most men want a return to traditional gender roles, but women aren’t so sure. The 19th. https://19thnews.org/2025/09/poll-traditional-family-gender-roles/
Beauvoir, S. (1956). The second sex (H. M. Parshley, Trans.). Jonathan Cape. (Original work published 1949).
Butler, J. (1990). Gender trouble: Feminism and the subversion of identity. Routledge.
Chang, N. (2025, January 6). Country is back — is conservatism next? Shado Magazine. https://shado-mag.com/articles/opinion/country-is-back-is-conservatism-next/
Connell, R. W. (1987). Gender and power: Society, the person and sexual politics. Polity.
Connell, R. W. (1995). Masculinities. Polity Press.
Connell, R. W., & Messerschmidt, J. W. (2005). Hegemonic masculinity: Rethinking the concept. Gender & Society, 19(6), 829-859. https://doi.org/10.1177/0891243205278639
Eagly, A. H., Nater, C., Miller, D. I., Kaufmann, M., & Sczesny, S. (2020). Gender stereotypes have changed: A cross-temporal meta-analysis of U.S. public opinion polls from 1946 to 2018. American Psychologist, 75(3), 301-315. https://doi.org/10.1037/amp0000494
Gramsci, A. (1971). Selections from the prison notebooks of Antonio Gramsci (Q. Hoare & G. Nowell-Smith, Eds. & Trans.). International Publishers.
Gramsci, A. (2002). Cadernos do cárcere (C. N. Coutinho, Trans.). Civilização Brasileira.
Hall, S. (2021). The hard road to renewal: Thatcherism and the crisis of the Left. Verso. (Original work published 1988).
Hill Collins, P. (1990). Black feminist thought: Knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. HarperCollins.
Irigaray, L. (1977). This sex which is not one (C. Porter & C. Burke, Trans.). Cornell University Press.
Martinho, A. (2024, September 22). Cabelo sem volume, pele ‘natural’ e muito bege e branco: Conheça a estética ‘clean girl’. Folha de S.Paulo. https://f5.folha.uol.com.br/estilo/2024/09/cabelo-sem-volume-pele-natural-e-muito-bege-e-branco-conheca-a-estetica-clean-girl.shtml
Molina, C. (2024, December 3). Geração Z e o retorno do conservadorismo entre os jovens. Diário de Pernambuco. https://www.diariodepernambuco.com.br/colunas/diariomulher/2024/12/geracao-z-e-o-retorno-do-conservadorismo-entre-os-jovens.html
Paechter, C. (2006). Masculine femininities/feminine masculinities: Power, identities and gender. Gender & Educ., 18(3), 253-263. https://doi.org/10.1080/09540250600667785
Prado, C. (2024, May 29). ‘Tradwife’: Quem são as mulheres que fazem sucesso mostrando rotina de dedicação exclusiva ao lar. G1. https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2024/05/29/tradwife-quem-sao-as-mulheres-que-fazem-sucesso-mostrando-rotina-de-dedicacao-exclusiva-ao-lar.ghtml
Pyle, K. D., & Johnson, D. L. (2003). Asian American women and racialized femininities: “Doing” gender across cultural worlds. Gender & Society, 17(1), 33-53. https://doi.org/10.1177/0891243202238979
Risman, B. J. (2004). Gender as a social structure: Theory wrestling with activism. Gender & Society, 18(4), 429-450. https://doi.org/10.1177/0891243204265349
Schippers, M. (2007). Recovering the feminine other: Masculinity, femininity, and gender hegemony. Theory and Society, 36(1), 85-102. https://doi.org/10.1007/s11186-007-9022-4
Souza, C. (2023). Rivalidade feminina: Entenda o que está por trás da competição entre mulheres. Correio do Povo. https://www.correiodopovo.com.br/bellamais/rivalidade-feminina-entenda-o-que
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Direitos® 2025 RIEL
Sob a égide da Lei º 9.610/1998 que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais no Brasil, a Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem (RIEL) ressalta a natureza de acesso livre da revista e exige que todos e todas que submetem manuscritos a este periódico observem princípios éticos e respeitem o direito de propriedade intelectual sobre a obra em tela.
Portanto, declaram-se titulares da propriedade dos direitos autorais do manuscrito submetido e, por conseguinte, não infringem direitos autorais, de imagem e outros direitos de propriedade de terceiros. Logo, assumem integral responsabilidade moral ou patrimonial, pelo seu conteúdo, perante terceiros.
Desse modo, autorizam, cedem e transferem à Revista Interdisciplinar em Estudos de Linguagem (RIEL) o direito de edição, de publicação, de tradução para outra língua e de reprodução por qualquer processo ou técnica do manuscrito submetido sem direito exigência de qualquer tipo de remuneração.

