Tradwifes e Clean Girls como Instrumentos da Ideologia Conservadora

Autores

  • Julia Dalbosco Discente, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR, Brasil https://orcid.org/0000-0002-0683-8432
  • Denise Rosana da Silva Moraes Docente, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.67204/riel.v4i10.3148

Palavras-chave:

Feminilidades Párias, Discursos Conservadores, Mídias Digitais, Tradwifes

Resumo

Nos últimos anos, observa-se a crescente proliferação de discursos conservadores que circulam nos meios digitais e se infiltram nas práticas cotidianas, influenciando relações sociais e padrões de consumo. Estes discursos incluem visões ultrapassadas dos "papéis de gênero" e expressões padronizadas de feminilidade e masculinidade. Algumas análises sobre esse movimento atribuem essa mudança a uma crise econômica e política; entretanto, essas análises são insuficientes para analisar o fenômeno de maneira satisfatória. Neste trabalho, apresentamos o conceito de feminilidades párias, de Mimi Schippers, como ferramenta para analisar os recentes discursos conservadores que versam sobre o corpo feminino. Argumentamos que esses discursos surgem como uma resposta conservadora a avanços sociais e, a partir da análise de conteúdos produzidos por tradwifes e cleangirls, descrevemos como essas produções estão alinhadas ao pensamento conservador e quais suas consequências para a sociedade. O artigo estrutura-se em três seções: a primeira oferece uma introdução sobre a temática; em seguida, discute-se o sistema binário de gênero e as feminilidades a partir de Schippers; e, por fim, oferecemos uma breve análise sobre o avanço conservador ao longo da história e como, na atualidade, esse avanço se alinha com a produção de conteúdo das tradwifes e cleangirls.

Biografia do Autor

Julia Dalbosco, Discente, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR, Brasil

Mestrado em Relações Internacionais, Universidade Federal da Integração Latino Americana

Denise Rosana da Silva Moraes, Docente, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR, Brasil

Doutorado em Educação, Universidade Estadual de Maringá.

Referências

Barclay, M. L., & Padilla, M. (2025, September 25). Most men want a return to traditional gender roles, but women aren’t so sure. The 19th. https://19thnews.org/2025/09/poll-traditional-family-gender-roles/

Beauvoir, S. (1956). The second sex (H. M. Parshley, Trans.). Jonathan Cape. (Original work published 1949).

Butler, J. (1990). Gender trouble: Feminism and the subversion of identity. Routledge.

Chang, N. (2025, January 6). Country is back — is conservatism next? Shado Magazine. https://shado-mag.com/articles/opinion/country-is-back-is-conservatism-next/

Connell, R. W. (1987). Gender and power: Society, the person and sexual politics. Polity.

Connell, R. W. (1995). Masculinities. Polity Press.

Connell, R. W., & Messerschmidt, J. W. (2005). Hegemonic masculinity: Rethinking the concept. Gender & Society, 19(6), 829-859. https://doi.org/10.1177/0891243205278639

Eagly, A. H., Nater, C., Miller, D. I., Kaufmann, M., & Sczesny, S. (2020). Gender stereotypes have changed: A cross-temporal meta-analysis of U.S. public opinion polls from 1946 to 2018. American Psychologist, 75(3), 301-315. https://doi.org/10.1037/amp0000494

Gramsci, A. (1971). Selections from the prison notebooks of Antonio Gramsci (Q. Hoare & G. Nowell-Smith, Eds. & Trans.). International Publishers.

Gramsci, A. (2002). Cadernos do cárcere (C. N. Coutinho, Trans.). Civilização Brasileira.

Hall, S. (2021). The hard road to renewal: Thatcherism and the crisis of the Left. Verso. (Original work published 1988).

Hill Collins, P. (1990). Black feminist thought: Knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. HarperCollins.

Irigaray, L. (1977). This sex which is not one (C. Porter & C. Burke, Trans.). Cornell University Press.

Martinho, A. (2024, September 22). Cabelo sem volume, pele ‘natural’ e muito bege e branco: Conheça a estética ‘clean girl’. Folha de S.Paulo. https://f5.folha.uol.com.br/estilo/2024/09/cabelo-sem-volume-pele-natural-e-muito-bege-e-branco-conheca-a-estetica-clean-girl.shtml

Molina, C. (2024, December 3). Geração Z e o retorno do conservadorismo entre os jovens. Diário de Pernambuco. https://www.diariodepernambuco.com.br/colunas/diariomulher/2024/12/geracao-z-e-o-retorno-do-conservadorismo-entre-os-jovens.html

Paechter, C. (2006). Masculine femininities/feminine masculinities: Power, identities and gender. Gender & Educ., 18(3), 253-263. https://doi.org/10.1080/09540250600667785

Prado, C. (2024, May 29). ‘Tradwife’: Quem são as mulheres que fazem sucesso mostrando rotina de dedicação exclusiva ao lar. G1. https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2024/05/29/tradwife-quem-sao-as-mulheres-que-fazem-sucesso-mostrando-rotina-de-dedicacao-exclusiva-ao-lar.ghtml

Pyle, K. D., & Johnson, D. L. (2003). Asian American women and racialized femininities: “Doing” gender across cultural worlds. Gender & Society, 17(1), 33-53. https://doi.org/10.1177/0891243202238979

Risman, B. J. (2004). Gender as a social structure: Theory wrestling with activism. Gender & Society, 18(4), 429-450. https://doi.org/10.1177/0891243204265349

Schippers, M. (2007). Recovering the feminine other: Masculinity, femininity, and gender hegemony. Theory and Society, 36(1), 85-102. https://doi.org/10.1007/s11186-007-9022-4

Souza, C. (2023). Rivalidade feminina: Entenda o que está por trás da competição entre mulheres. Correio do Povo. https://www.correiodopovo.com.br/bellamais/rivalidade-feminina-entenda-o-que

Downloads

Publicado

13-10-2026

Como Citar

Dalbosco, J., & Moraes, D. R. da S. (2026). Tradwifes e Clean Girls como Instrumentos da Ideologia Conservadora. evista nterdisciplinar m studos e inguagem, 4(10), 159–172. https://doi.org/10.67204/riel.v4i10.3148