Reflexividade Para Além dos Papéis Temáticos

Uma Abordagem por ThetaFeatures

Autores

Palavras-chave:

Verbos Reflexos, Verbos Reflexos Inerentes, Verbos Inacusativos, Verbos Inergativos

Resumo

Neste trabalho reavalia-se a classificação tradicional das construções reflexas com -se no português europeu, argumentando que a categoria dos chamados “pseudoreflexos” tem sido excessivamente ampliada. A partir da crítica à abordagem baseada em papéis temáticos, demonstra-se que verbos de alternância causativa, verbos psicológicos e reflexos inerentes não devem ser automaticamente associados à inacusatividade. Em vez disso, adota-se o modelo de thetafeatures de Reinhart (2000), que permite analisar a reflexividade como uma operação de redução argumental, distinguindo-a de fenómenos superficiais como passivas e construções impessoais. A análise mostra que muitos verbos tradicionalmente considerados pseudoreflexos exibem propriedades sintáticosemânticas compatíveis com verdadeira reflexividade, sobretudo quando se considera a interação entre causalidade, agentividade e operações lexicais. Assim, propõe-se uma recategorização que restringe a noção de pseudoreflexo às construções não reflexas (passivas, impessoais e alguns usos recíprocos), defendendo que a reflexividade deve ser entendida como um potencial estrutural mais amplo.

Biografia do Autor

Luís Trigo, Investigador, Centre for Digital Culture and Innovation, Universidade do Porto, Porto, Portugal

Doutorado em Ciências da Linguagem, Universidade do Porto

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Publicado

28-02-2026

Como Citar

Trigo, L. (2026). Reflexividade Para Além dos Papéis Temáticos: Uma Abordagem por ThetaFeatures. Revista Interdisciplinar Em Estudos De Linguagem, 4(8), 188–203. Recuperado de https://ojs.ifsp.edu.br/riel/article/view/3034