Ensinando Língua Inglesa com The Little Prince e suas (Re)traduções
Palavras-chave:
Retradução, Ensino de Inglês, Material Didático Autêntico, The Little PrinceResumo
O ensino de línguas estrangeiras sob a visão da Abordagem Comunicativa tende a excluir textos traduzidos por considerá-los distantes da língua autêntica (Romanelli, 2009). Este artigo propõe uma desconstrução dessa noção através dos pressupostos da retradução. Retradução pode ser definida como uma tradução feita após a primeira tradução de uma obra (Mattos e Faleiros, 2014). Obras traduzidas e retraduzidas representam padrões linguísticos, culturais e sociais da cultura-alvo, sendo, portanto, representações autênticas da língua em uso (Venuti, 2023). O objetivo central do artigo é demonstrar que o ensino de línguas estrangeiras, mais especificamente o ensino da língua inglesa, pode ser favorecido com o uso de textos (re)traduzidos. Para tal, foram analisados excertos extraídos de quatro versões da obra The Little Prince: as traduções estadunidenses de Katherine Woods (1943) e Richard Howard (2000) e as britânicas de Alan Wakeman (1995) e Michael Morpurgo (2018). A metodologia consistiu na seleção e alinhamento de excertos das obras com anotações baseadas em gramática, semântica e léxico. Os resultados indicam contrastes sistemáticos entre as variantes, envolvendo questões de tempos verbais, além de distintas estratégias de construção das personagens e escolhas lexicais que veiculam diferentes graus de afeto, formalidade ou marcação de gênero.
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