Ensino e aprendizagem
Práticas de linguagem em língua materna
DOI:
https://doi.org/10.67204/riel.v3i6.1602Palavras-chave:
Ensino e aprendizagem, Práticas de linguagem, Língua maternaResumo
Neste volume temático Ensino e aprendizagem: práticas de linguagem em língua materna temos trabalhos de perspectiva transdisciplinar sobre práticas e dados de natureza linguística e discursiva, refletindo sobre a dimensão da relação indissociável entre práticas linguístico-discursivas e sociais. Encontram-se, nesta linha de investigação, o ensino e a aprendizagem de língua materna, as práticas de tradução em interface com o ensino, os contextos midiáticos e tecnológicos, questões relacionadas a multiculturalismo, entre outros temas de abordagem similar.
Em torno de um quarto de século, pouco mais de duas décadas aproximadamente, que os linguistas passaram a compor o debate acerca do ensino de língua materna no Brasil. Antes disso, inúmeros gramáticos, pedagogos, psicólogos, cognitivistas, por exemplo, vinham se debruçando sobre o assunto. No caso em questão a particularidade reside, entre uma abordagem e outra, no fato de que cada área centraliza as discussões de acordo com pressupostos alinhados a áreas do conhecimento condizentes com sua pesquisa. Assim, quando os linguistas passaram a ocupar tal lugar no debate sua crítica recaiu sobre a forma que a escola trata o ensino de linguagem.
O ensino tradicional foi então considerado um terreno de fragilidades devido a dificuldades de lidar, neste contexto, com especificidades culturais e linguísticas devido à inserção de novos discentes na escola pública nacional ocasionada pela expansão educacional oriunda dos governos militares. Desse modo, havendo perpassado historicamente temas como a variação linguística, o conceito de gramática, os usos sociais da linguagem, a emergência dos estudos discursivos e a funcionalidade das práticas de linguagem em âmbito efetivo houve um redirecionamento que fez com que os linguistas imprimissem sua marca de forma significativa. Sobretudo, passou-se a indicar a importância de não confundir ensino de nomenclaturas gramaticais com ensino de língua portuguesa. Isso porque o trabalho excessivamente normativo não considera a realidade multifacetada da língua que não pode ser reduzida a um compêndio de ações de transmissão de regras.
Diante disso, vale salientar que inúmeras pesquisas teórico-críticas têm se dedicado aos estudos das práticas de linguagem em contextos escolares cada vez mais heterogêneos, o que engloba um vasto campo de pesquisas relativas à utilização de múltiplas linguagens no âmbito de modalidades tão diversificadas que vão desde o ensino fundamental, o médio, o técnico, a educação de jovens e adultos até questões voltadas a instâncias relativas ao ensino integrado e ao ensino profissionalizante. Dessa forma, esperamos que os textos deste volume contribuam para o desenvolvimento de pesquisas que tematizam ensino e aprendizagem de língua portuguesa em contextos escolares relacionados às práticas de linguagem, em perspectivas teóricas que atentem para a questão da interação sob a perspectiva dos usos sociais da linguagem.
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