O descompasso entre o Corpo e a Moral em O Idiota
DOI:
https://doi.org/10.47734/rce.v7iFC.2923Palavras-chave:
Moralidade, Corpo, Idealismo, MíchkinResumo
O presente trabalho analisa o Príncipe Míchkin, o protagonista de O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, como um arquétipo cristão de bondade e moralidade tão elevadas que o tornam uma figura deslocada e trágica. O texto destaca a tensão central entre o ideal ético de Míchkin, marcado pela renúncia total, e a sua fragilidade física, simbolizada pela epilepsia. Essa tensão o impede de se integrar plenamente à realidade. Ao tentar sustentar uma vida guiada por princípios universais, desprezando a corporeidade e os deveres para consigo mesmo, ele é incompreendido e exaurido, o que culmina em seu colapso psíquico e em seu retorno ao sanatório. A despeito da fé cristã professada pelo autor, o romance abre espaço para a crítica de um moralismo idealista que ignora os limites e as necessidades do corpo humano.
Referências
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. O Idiota. trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2002.
KANT, Immanuel. A metafísica dos costumes.Trad. Edson Bini. Bauru: EDIPRO, 2008.
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