Os livros que (não) lemos:
do preconceito literário à escrita sobre identidade e sexualidade em Os sete maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid
Palavras-chave:
Literatura, Preconceito, Ensino, Identidade, SexualidadeResumo
O presente ensaio propõe uma reflexão crítica sobre os preconceitos literários presentes na formação docente e no espaço escolar, partindo de uma experiência concreta em sala de aula. A partir do incômodo gerado pela leitura de uma aluna — o romance Os sete maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid —, o autor revisita suas concepções sobre cânone, valor estético e legitimação cultural. A análise do romance evidencia uma narrativa queer que tensiona questões de identidade, sexualidade e performance de gênero na indústria cinematográfica, especialmente no contexto repressivo da Hollywood dos anos 1950. Com base em teóricos como Freud, Han, Simmel e Compagnon, o texto investiga como os discursos normativos moldam a recepção literária e a constituição subjetiva dos leitores. Defende-se, ao final, uma escuta pedagógica ampliada, capaz de acolher experiências de leitura não hegemônicas como forma de resistência e ampliação do repertório crítico e sensível na escola.
Palavras-chave: literatura; ensino; sexualidade; identidade; preconceito.
THE BOOKS WE (DON'T) READ: FROM LITERARY PREJUDICE TO WRITING ON IDENTITY AND SEXUALITY IN THE SEVEN HUSBANDS OF EVELYN HUGO BY TAYLOR JENKINS REID
Abstract
This essay offers a critical reflection on literary biases present in teacher education and school environments, grounded in a concrete classroom experience. Triggered by a student’s interest in the novel The Seven Husbands of Evelyn Hugo by Taylor Jenkins Reid, the author revisits assumptions about the literary canon, aesthetic value, and cultural legitimacy. The analysis highlights a queer narrative that explores issues of identity, sexuality, and gender performance within the film industry, particularly in the repressive context of 1950s Hollywood. Drawing on theorists such as Freud, Han, Simmel, and Compagnon, the text examines how normative discourses shape literary reception and the subjective construction of readers. Ultimately, the essay advocates for an expanded pedagogical approach, one that embraces non-hegemonic reading experiences as a form of resistance and as a means of broadening the critical and affective repertoire within educational settings.
Keywords: literature; education; sexuality; identity; prejudice.
Referências
Livro referência para este ensaio:
REID, Taylor Jenkins. Os sete maridos de Evelyn Hugo. Tradução de Alexandre Boide. Paralela, Editora Schwarcz S.A., São Paulo: 2017.
Livros teóricos que orientaram a crítica:
BOLLE, Willi. Fisiognomia da metrópole moderna. São Paulo: EDUSP, 1994.
COMPAGNON, Antoine. Literatura para quê? Tradução de Laura Taddei Brandini. Belor Horizonte: Editora UFMG, 2009.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na cultura. Tradução de REnato Zwick. 2 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2017.
HAN, Byung-Chul. Topologia da violência. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
___. A crise da narração. Tradução de Daniel Guilhermino. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023.
SIMMEL, Georg. Metrópole e vida mental. In: VELHO, Otávio (org.) O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Tradução de Caio Meira. 5 ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2014.
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