Masculinidade e discrição em aplicativo de relacionamento

Discursos sobre identidades homossexuais masculinas

  • Marcos da Silva Cruz Universidade Federal do Pará
Palavras-chave: Discurso, Homossexualidade masculina, Masculinização, Debilidade performativa, Grindr

Resumo

Esta pesquisa propõe pensar os modos de identificação de sujeitos homossexuais masculinos, sobretudo aqueles que defendem a ideia de masculinização da masculinidade homossexual e de discrição da feminilidade. Os chamados “machões e discretos” tornam-se mais visíveis em aplicativos de relacionamento, onde, sob a égide do desejo sexual/amoroso, promulgam determinações sobre os corpos dos parceiros-em-potencial, muito embora vivenciem as ambiguidades de cálculo das diferenças identitárias. Investigamos, como corpus, os usuários do aplicativo de relacionamento gay Grindr, narrando a história de dois usuários. Como resultados, constatamos que o corpo, como materialidade discursiva, funciona como a escritura pela qual são inscritos uma série de pares opositivos (masculinidade/efeminamento e atividade/passividade), mas também funciona como prova concreta do exercício performativo debilitado de masculinização e a projeção da masculinização no parceiro-em-potencial como um suplemento performativo.

Biografia do Autor

Marcos da Silva Cruz, Universidade Federal do Pará

Mestrando em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É graduando em Pedagogia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). Possui graduação em Letras em Língua Portuguesa pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). Atua no ensino de língua materna na educação básica e no ensino de língua estrangeira (inglês) em cursos livres. Possui interesse nas temáticas que envolvam teorias do discurso, a relação entre linguagem, discurso e trabalho, bem como teorias e pedagogias queer.

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Publicado
2020-06-17