Desvalorização e satisfação

Uma contradição subjetiva nos professores em um contexto de sucesso escolar?

Palavras-chave: Sociologia do trabalho, Educação, Trabalho docente, IDEB, Sobral

Resumo

No município de Sobral-CE, marcado por excelentes índices do IDEB no ensino fundamental, o preparo para as avaliações de aprendizagem assume grande importância na organização do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Segundo o discurso oficial da Prefeitura de Sobral, foram implementadas políticas que pretenderam incentivar e valorizar o trabalho docente, tais como gratificações financeiras e formação em serviço mensal. A partir de uma abordagem sociológica do trabalho, este artigo buscou investigar se a organização pedagógica e os mecanismos de incentivo ao trabalho docente no município são vistos como fatores que contribuem positivamente para a função docente na visão dos professores. Resultados de pesquisa de campo em duas escolas públicas, permitiram analisar como os professores podem estar bem envolvidos em seu trabalho e ao mesmo tempo se perceberem desvalorizados economicamente. Assim, questões de controle e autonomia são abordadas pela ótica sociológica de Serge Paugam e Jean-Pierre Durand.

Biografia do Autor

Jenifer da Silva Gavilan, Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SEDUC/MT)

Mestra em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 2018, tendo atuado na linha de pesquisa da Sociologia do Trabalho, com bolsa CAPES. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso (2015). Foi bolsista do Projeto de Extensão "Ensino de Sociologia: enfrentamento de problemas da juventude" (PROCEV - UFMT) em 2010 e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID - CAPES) nos anos de 2011 a 2014. Atualmente é docente pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (SEDUC), ministrando aulas de sociologia no ensino médio. Possui experiência e interesse em Educação, Políticas Públicas e Juventudes e Sociologia do Trabalho.

Laion Loester de Paula Dias Gonçalves, Universidade Federal Mato Grosso (UFMT)

É graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atualmente é mestrando pelo Programa de Pós-graduação interdisciplinar em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Tem interesse de pesquisa em discursos, narrativas e ideologias conservadoras, liberais e totalitárias - tanto de "direita" quanto de "esquerda". Para titulação de mestre, analisa discursividades e retóricas em rede no facebook que confluíram na constituição simbólica do atual presidente do Brasil enquanto "mito" durante as eleições presidenciais de 2019.

Pedro Robertt Niz, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Possui graduação em Sociologia pela Universidad de la Republica do Uruguai (1990), Mestrado em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e Doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006). Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal de Pelotas, atuando no Programa de Pós-graduação em Sociologia e no Programa de Pós-graduação em Ciência Política. Tem se aprofundado na área de Sociologia do Trabalho pesquisando os seguintes temas: Reestruturação Produtiva, Flexibilidade, Classe Trabalhadora e Nova ética do capitalismo. Na atualidade vêm desenvolvendo pesquisas sobre com trabalhadores e ex-trabalhadores da Indústria Naval na cidade de Rio Grande/RS, sendo um dos coordenadores do NEPN (Núcleo de Estudos sobre o Polo Naval). Vem desenvolvendo pesquisas orientadas pela abordagem etnográfica. É um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa" Mudanças organizacionais e novas subjetividades no mundo do trabalho", cadastrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Outra área de atuação é a de Epistemologia e Metodologia da Pesquisa em Ciências Sociais, coordenando atualmente, um projeto de pesquisa sobre a reflexividade nas ciências sociais.

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Publicado
2020-05-05