Guerreiro Ramos e o Brasil Inacabado:
Poder, Classe e o Desafio do Desenvolvimento Nacional
Palavras-chave:
Sociologia brasileira, Guerreiro Ramos, Desenvolvimento Nacional, Industrialização brasileira, Poder nacional.Resumo
O presente estudo analisa a dependência teórica e estrutural da sociologia brasileira em relação a paradigmas estrangeiros, a partir das contribuições de Alberto Guerreiro Ramos. Parte-se da constatação de que a produção sociológica nacional, em diversos momentos, reproduziu modelos analíticos descontextualizados, limitando a compreensão das especificidades históricas, sociais e políticas do Brasil. Nesse sentido, o problema central reside na dificuldade de construção de uma sociologia autônoma, capaz de interpretar o desenvolvimento nacional considerando o papel da industrialização, das estruturas de poder e da formação de uma classe dirigente comprometida com um projeto nacional. Como alternativa a esse cenário, Guerreiro Ramos propõe uma sociologia crítica e engajada, fundamentada na articulação entre teoria e práxis. O autor enfatiza a necessidade de construir categorias analíticas enraizadas na realidade latino-americana, evitando a simples importação de referenciais teóricos estrangeiros. Nessa perspectiva, a industrialização deve ser compreendida não apenas como um fenômeno econômico, mas como um processo civilizatório essencial para a emancipação social e para a consolidação de um projeto nacional autônomo. Conclui-se que a constituição de um poder nacional autônomo no Brasil depende tanto de transformações estruturais quanto de uma reorientação epistemológica das ciências sociais. A ausência de uma consciência histórica articulada entre elites e sociedade comprometeu a construção de um projeto nacional consistente. Dessa forma, o pensamento de Guerreiro Ramos permanece atual ao defender uma sociologia crítica, historicamente situada e comprometida com a superação das desigualdades sociais.