Caracterização de sólido e análise de Capacidade Tampão frente à Acidificação em Substratos de Biodigestão
Palavras-chave:
Biodigestor;, Controle de pH;, Capacidade Tampão, Sólidos Voláteis, Sólidos Fixos, Acidificação;, Digestão AnaeróbiaResumo
A digestão anaeróbia em biodigestores caseiros representa uma tecnologia sustentável para geração de biogás e biofertilizantes, porém é frequentemente comprometida pela acidificação do meio digestor. Este artigo apresenta uma análise integrada da caracterização físico-química de substratos e sua capacidade tampão frente a perturbações de pH. A metodologia incluiu análise de sólidos e ensaios de capacidade tampão com monitoramento temporal em quatro categorias de substrato: arroz, feijão e frango (AFF); arroz, cenoura e ervilha (ACE); arroz branco cozido (ARR); e cascas de abacaxi (CAB). Os resultados demonstraram teores expressivos de sólidos voláteis em todos os substratos, com destaque para a amostra AFF (37,50% de SV), seguida pelas amostras ARR (34,73%), CAB (33,08%) e ACE (21,15%). A relação SV/ST variou de 0,88 a 0,98, indicando elevada biodegradabilidade. Destaca-se na amostra ARR o teor mais elevado de sólidos fixos (4,93%) em comparação às demais amostras (0,81 a 0,93%), sugerindo possível contribuição inorgânica para a capacidade tampão do sistema. Nos ensaios de capacidade tampão da amostra ARR, observou-se variabilidade entre réplicas: enquanto uma apresentou recuperação de +0,21 frente à acidificação, a outra mostrou recuperação de apenas +0,05, indicando que a capacidade tampão não apresenta correlação direta com o teor de sólidos voláteis. Conclui-se que a caracterização conjunta de parâmetros físicos e químicos é essencial para o dimensionamento adequado de sistemas de controle de pH em biodigestores, sendo a variabilidade intrasubstrato um fator crítico a ser considerado.