Panorama dos Aspectos Relevantes para a Prática e a Pesquisa
em Audiodescrição

Autores

  • Cícera Aparecida Lima Malheiro Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
  • Ana Julia Perrotti-Garcia Centro Universitário São Camilo (CUSC)

Palavras-chave:

audiodescrição, acessibilidade, comunicação, tradução audiovisual, tradução intersemiótica

Resumo

Partindo da necessidade de proporcionar igualdade na comunicação e oportunidade no acesso à informação, encontra-se a audiodescrição. Que é reconhecida como uma modalidade de tradução audiovisual intersemiótica, ou seja, corresponde à transformação de signos não verbais (imagens) em verbais (texto narrado ou escrito). Dentro do campo estratégico, trata-se de um recurso que favorece a acessibilidade comunicacional. A partir do emprego de sua técnica, esta visa contribuir à eliminação das barreiras comunicacionais, proporcionando o acesso ao conteúdo imagético, complementando e ampliando a informação, que se encontra total ou parcialmente inacessível, ou seja, que não pode ser percebida ou compreendida por pessoas com deficiência visual, entre outros grupos também beneficiados. Considerando uma abordagem exploratória e descritiva, este texto apresenta um panorama da audiodescrição, discorrendo sobre os seus aspectos históricos, legais, práticos, profissionais e investigativos. Constata-se que se trata de uma prática profissional reconhecida recentemente no Brasil, e ainda pouco investigada do ponto de vista acadêmico, concentrando-se a maioria de suas pesquisas no campo da tradução audiovisual. Embora os audiodescritores brasileiros disponham de uma normativa nacional, as diretrizes e modelos internacionais também são empregados durante as escolhas tradutórias. Considera-se que o campo formativo ainda necessite de respaldo legal, para evitar formações aligeiradas e sem cientificidade, e que o emprego desse serviço não pode ser reduzido a uma condição simplista, ou seja, descrever o que se vê, mas sim, fazer escolhas tradutórias que sejam relevantes para a compreensão da organização semiótica do objeto ou da obra.


Overview of Relevant Aspects for Practice and Research in Audio description

Abstract

With the need to enhance equality in communication and access to information as starting points, we find audio description. It is known as a kind of intersemiotic audiovisual translation, i.e., the process of converting non-verbal signs (images) into verbal signs (spoken or written). Concerning strategies, audio description is a resource that enhances accessible communication. By using its techniques, the audio description aims at contributing to preventing barriers to communication, promoting access to visual content, complementing and improving information, which is total or partially inaccessible, that is, which cannot be caught or understood by visually impaired people, among other groups of people who can benefit from audio description. From an exploratory and descriptive point of view, the paper presents an overview of audio description, stating its historic, legal, practical, professional and investigative features. The authors consider it is a professional practice that was acknowledged recently in Brazil and that has not been researched deeply, from an academic point of view. Most of the researches made belong to the audiovisual translation field. Although Brazilian scholars who deal with audio description have their own national guidelines to rely on, international style guides and models are also adopted as basis for their decision-making processes while translating. The authors consider that translation learning and development still need legal basis, to avoid nonscientific and hasty courses, and the use of audio description cannot be summarized in simple terms, such as “describe what you are seeing”. The choices in translation have to be relevant to the understanding of the semiotic organization of the object or work.

Keywords: audio description, accessibility, communication, audiovisual translation, intersemiotic translation

Biografia do Autor

Cícera Aparecida Lima Malheiro, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Doutorado em Educação
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Ana Julia Perrotti-Garcia, Centro Universitário São Camilo (CUSC)

Doutorado em Letras
Universidade de São Paulo (USP)

Referências

ABNT (2016). NBR 16.452, Acessibilidade na comunicação: Audiodescrição.

Alves, S. F. (2011). Por um modelo de audiodescrição brasileiro: Um estudo sobre modelos de audiodescrição de filmes de animação. In Anais do Congresso Internacional da Abralin, Curitiba, Brasil.

Alves, S. F., Teles, V. C., & Pereira, T. V. (2011). Propostas para um modelo brasileiro de audiodescrição para deficientes visuais. Tradução & Comunicação: Revista Brasileira de Tradutores, 22.

Araújo, V. L. S. (2010). A formação de audiodescritores no Ceará e em Minas Gerais: Uma proposta baseada em pesquisa acadêmica. In L. M. V. M. Motta & P. Romeu Filho (Orgs.), Audiodescrição: Transformando imagens em palavras. Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo.

Audio Description Coalition (2008). The audio description coalition standards for audio description and code of professional conduct for describers.

Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/d5296

Decreto nº 9.404, de 11 de junho de 2018. Altera o Decreto nº 5.296, de 2 dezembro de 2004, para dispor sobre a reserva de espaços e assentos em teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, locais de espetáculos e de conferências e similares para pessoas com deficiência, em conformidade com o art. 44 da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, (Estatuto da Pessoa com Deficiência). http://www.planalto.gov.br/D9404

Franco, E. P. C. (2010). A importância da pesquisa acadêmica para o estabelecimento de normas da audiodescrição no Brasil. Recuperado de https://adww.online

Holland, A. (2009). Audio description in the theatre and the visual arts: Images into words. In G. Anderman & J. Díaz Cintas (Eds.), Audiovisual translation: Language transfer on screen. Palgrave MacMillan.

Instrução Normativa n. 128, de 13 de setembro de 2016. Agência Nacional do Cinema, Dispõe sobre as normas gerais e critérios básicos de acessibilidade visual e auditiva a serem observados nos segmentos de distribuição e exibição cinematográfica. https://antigo.ancine.gov.br/legislacao

ITC. Guidance on standards for audio description. http://www.ofcom.org.uk/codes_guidance

Jakobson, R. (1995). Linguística e comunicação. Editora Cultrix.

Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. http://www.planalto.gov.br/L10098

Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, (Estatuto da Pessoa com Deficiência). http://www.planalto.gov.br/L13146

Lima, F. J., Lima, R. A. F., & Vieira, P. A. M. (n.d.). O traço de união da áudio-descrição. Versos e Controvérsias. http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br

Medeiro, F. R. B. (2012). Elementos para a microestrutura de um glossário semitrilíngue dos termos da audiodescrição, (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual do Ceará.

Norma Aenor (2005). UNE153020: Audiodescripción para personas con discapacidad visual. Requisitos para la audiodescripción y elaboración de audioguías. Madrid.

Perrotti-Garcia, A. J., Brahemcha, F., & Kichel, L. (2021). Do sertão para o mundão: Ao vivo, em tempo real e remotamente. In A. J. Perrotti-Garcia & F. Brahemcha (Orgs.), Ao vivo e a cores: Relatos de casos de audiodescrição de eventos ao vivo. eBook Kindle

Portaria nº 188 de 24 de março de 2010, Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiência http://www.mpgo.mp.br/audiodescricao

Portaria nº 310, de 27 de junho de 2006. Agência Nacional de Telecomunicações. Aprova a Norma Complementar n. 01/2006, Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiência, na programação veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão. https://informacoes.anatel.gov.br/442-portaria-310

Santos, R., & Ferreira, E. L. (2020). A implementação da audiodescrição do Brasil. Educação e Fronteiras On-Line, 10(28), 8-21.

Downloads

Publicado

18-09-2022

Como Citar

Malheiro, C. A. L., & Perrotti-Garcia, A. J. (2022). Panorama dos Aspectos Relevantes para a Prática e a Pesquisa
em Audiodescrição. Revista Letra Magna, 18(30). Recuperado de https://ojs.ifsp.edu.br/index.php/magna/article/view/2150