Rizoma e racismo

Por um ensaio

Palavras-chave: Rizoma, Racismo, Sociedade

Resumo

A Bignoniaceae Tabebuia é uma árvore que floresce em dias secos e cinzentos. Floresce para anunciar tempos melhores. Aspiramos o mesmo ao tratar do racismo na sociedade contemporânea qual temática muito cara para boa parte da população mundial, que têm sistematicamente sido afligida por esse mal. Assumimos raça, neste ensaio, em seu sentido mais amplo relacionando-o ao conceito de rizoma (Deleuze & Guattari, 1995). O convite é pensar com as plantas e sua forma de organização da multiplicidade. Nosso objetivo neste ensaio é alinhavar os princípios rizomáticos ao racismo, que se manifesta de diferentes maneiras no tessitura social como, por exemplo, por meio da falácia da democracia racial, na academia, na língua, na literatura e através de discursos racistas, que carecem de arqueologia própria para que se compreenda seus vários níveis de ocultação. Não é nossa pretensão de esgotar o assunto. Antes, porém, nosso interesse é provocar reflexões e novos debates com vistas à primavera anunciada pelo Ipê.

Biografia do Autor

Rubens Lacerda de Sá, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestrado em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Especialização no Ensino de Línguas para Fins Específicos pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Graduação em Letras pela Universidade Camilo Castelo Branco (UCCB).

Helisa Vieira Magalhães, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG)

Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Referências

Adorno, T. W. (1995). Educação e emancipação, (W. L. Maar, Trad.). Editora Paz e Terra.

Almeida, S. L. (2018). O que é racismo estrutural? Editora Letramento.

Arendt, H. (1951). The Origins of Totalitarianism. Harcourt, Brace and Co.

Bagno, M. (2008). O racismo linguístico no Brasil. Portal Geledés.

Borges de Meneses, R. D. (2013). A desconstrução em Jacques Derrida: O que é e o que não é pela estratégia. Universitas Philosophica, 30(60), 177-204.

Bortoni-Ricardo, S, M. (2008). O professor pesquisador: Introdução à pesquisa qualitativa. Parábola Editorial.

Buck-Morss, S. (2018). O presente do passado, (A. L. Andrade, & A. Varandas, Trad.). Cultura e Barbárie.

Césaire, A. (1955). Discours sur le colonialisme. Éditions Présence Africane.

Deleuze, G., & Guattari, F. (1976). O Anti-édipo: Capitalismo e esquizofrenia. Imago.

Deleuze, G., & Guattari, F. (1995). Rizoma. In G. Deleuze, & F. Guattari. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia, (A. Guerra Neto & C. P. Costa, Trad.).(pp. 2-18). Editora 34.

Derrida, J. (1967). De la grammatologie. Éditions Minuit.

van Dijk, T. (2008). Racismo e discurso na América Latina. Editora Contexto.

Fanon, F. (1961). Les Damnés de la Terre. Éditions Maspero.

Fanon, F. (2008). Pele, máscaras brancas, (R. Silveira, Trad.). EdUFBA.

Ferreira, A. J. (2004). Addressing 'race'/ethnicity in Brazilian schools: A study of EFL teachers, (PhD Thesis). University of London.

Ferreira, A. J. (2012). Identidades sociais, letramento visual e letramento crítico: Imagens na mídia acerca de raça/etnia. Trab. Ling. Aplic., 51(1), 193-215.

Ferreira, A. J. (2014). Critical race theory and critical race literacy: Narratives and counter narratives of language teaches. Revista da ABPN, 6(3), 236-26.

Fernandes, F. (1965). A integração do negro na sociedade de classes. Editora Nacional.

Foucault, M. (1969). L’archéologie du savoir. Éditions Gallimard.

Freire, M. S. L. (2020). Do silenciamento ao (re)conhecimento: quando a fala se transborda na escrita. Cadernos de Campo, 29(1), 268-277, doi 10.11606/issn.2316-9133.

Freyre, G. (1933). Casa-Grande & Senzala. Editora Maia & Schmidt.

Galilei, G. (1632). Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo. Gio. Battista Landini.

Grosfoguel, R. (2016). A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Revista Sociedade e Estado, 31(1), 24-49.

Hooks, B. (2013). Ensinando a transgredir: Educação como prática da liberdade, (M. B. Cipolla, Trad.). Editora Martins Fontes.

Kilomba, G., & Escórcio, S. (2017). Grada Kilomba. Contemporânea, 12(5).

Kilomba, G. (2018). Desobediências poéticas e a urgência da descolonização do pensamento. SP-Arte.

Kilomba, G. (2019). Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano, (J. Oliveira, Trad.). Editora Cobogó.

Lacan, J. (1973). Le séminaire, livre XI: Les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse. Éditions du Seuil.

Lafuente, A., & Alonso, A. (2011). Ciencia expandida, naturaleza común y saber profano. Ediciones UNQ.

Lafuente, A., Alonso, A., & Rodríguez, J. (2013). ¡Todos sabios! Ciencia ciudadana y conocimiento expandido. Ediciones Cátedra.

Lucchesi, D., Baxter, A., & Ribeiro, I. (Orgs.),(2009). O português afro-brasileiro. EDUFBA.

Machado, R. C. M., & Soares, I. B. (2021). Por um ensino decolonial de literatura. Rev. Bras. Linguist. Apl., 21(3), 981-1005, doi 10.1590/1984-6398202116960.

Marasciulo, M. (2020). Na pandemia de Covid-19, negros morrem mais do que brancos. Revista Galileu, on-line.

Martins, I. F. (2020). Covid-19 nos presídios: Um estudo sobre os efeitos da pandemia conjuntamente a necropolítica no cárcere brasileiro, (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Federal de Uberlândia.

Melo, L. A. N., Mira, A. P. V. J (2021). O pretuguês em sala de aula: Racismo linguístico e as práticas pedagógicas da(o) docente de Língua Portuguesa. Revista Inter•Ação, 46(3), 1395–1412, doi 10.5216/ia.v46i3.67796.

Morus, T. (1516). Utopia. Edições Ridendo Castigat Mores e Cultvox.

Munanga, K. (1999). Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus identidade negra. Editora Vozes.

Nascimento, G. (2019). Racismo linguístico: Os subterrâneos da linguagem e do racismo. Editorial Letramento.

Rosenstiehl, P., & Petitot, J. (1974). Automate asocial et systèmes acentrés. Communications, 22, 45-62.

Said, E. W. (1978). Orientalism. Pantheon Books.

Santiago, T. (2021). Negros morreram quase duas vezes mais de Covid- 19 do que brancos no Itaim Bibi. G1 SP, on-line.

Sardinha, L. S., Botelho, P. S., & Carvalho, M. W. V. (2020). Desigualdades raciais em tempos de pandemia na cidade do Rio de Janeiro: Reflexões a partir de 1918 e 2020. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 72(2), 8-24, doi 10.36482/1809-5267.

Sayad, A. (1979). Qu’est-ce qu'un immigré ?, Peuples méditerranéens, 7, 3-23.

Schwarcz, L. K. M. (1993). O espetáculo das raças. Companhia das Letras.

Souza, N. S. (1983). Tornar-se negro: Vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Edições Graal.

Publicado
2022-06-13