QUERIDO DIÁRIO: O QUE DIZEM AS NARRATIVAS SOBRE A FORMAÇÃO E A FUTURA PRÁTICA DO PROFESSOR QUE ENSINARÁ MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS

  • Américo Júnior Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
  • Carmem Lúcia Brancaglion Passos Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)

Resumo

Este artigo é resultado do trabalho realizado durante o semestre letivo 2015.2. Trata-se de um recorte da pesquisa de doutoramento do primeiro autor com o objetivo de identificar e discutir as marcas de futuros professores dos anos iniciais, quanto à Matemática e ao seu ensino, que são manifestadas nas trajetórias de vida registradas nos diários reflexivos. Elegeu-se a temática de narrativas e de formação de professores que ensinarão Matemática nos anos iniciais, como foco de discussão, sobretudo, pela aproximação profissional e acadêmica dos autores.  A construção de dados se deu a partir de narrativas autobiográficas escritas de um grupo de alunos do 6º semestre do curso de Pedagogia de uma Universidade Pública do Estado de São Paulo. A análise dos dados para a identificação e a discussão das marcas apresentadas pelos licenciandos partiu da leitura dos diários reflexivos. O uso da escrita narrativa permitiu delimitar as compreensões dos estudantes participantes da pesquisa a respeito de seu próprio percurso formativo, possibilitando um movimento de reflexão sobre suas histórias de vida, o que repercute, dessa forma, no seu desenvolvimento, tanto profissional como pessoal. É necessário que os cursos de formação inicial de professores que atuarão nos anos iniciais e na educação infantil repensem o lugar da Matemática e sua importância, também, para o processo de alfabetização, e possibilitem que os futuros professores se reconheçam enquanto educadores matemáticos.

Biografia do Autor

Américo Júnior, Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Licenciado em Matemática, Especialista em Educação Matemática e em Psicopedagogia Institucional e Clínica, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB) e Doutorando em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Integra os Grupos de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática (CNPq/UFSCar), Aprendizagem Lúdica: Pesquisas e Intervenções em Educação e Desporto (CNPq/UnB) e Formação de Professor e Currículo (CNPq/Uneb). É professor da Universidade do Estado da Bahia, Campus VII-Senhor do Bonfim, em regime de dedicação exclusiva, mas afastado para realização de Doutorado.  

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Publicado
2016-12-31
Seção
Artigos