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  • José Alex Trajano dos Santos Associação Comunitária Educacional Cicera Tereza dos Santos

Resumo

Pelo júbilo da data do Centenário de nascimento de Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997), grande filósofo, educador e Patrono da Educação Brasileira, que deixou um legado indelével com suas obras, que nos mostram as diversas maneiras de ler e compreender com criticidade os “mundos” ao nosso redor para que possamos denunciar e anunciar como o indivíduo se constitui na sociedade, por meio do viés da alfabetização, tendo o domínio do entendimento dos seus deveres e inerentes direitos, reflexos de uma educação libertadora que dá voz ao oprimido ao tempo em que o conscientiza e liberta do condicionamento do opressor, o evento “Dialogando com Paulo Freire: novos desafios para um novo tempo” foi promovido pela Associação Comunitária Educacional Cícera Tereza dos Santos – ACECTS, mantenedora da Academia Mauaense de Letras e Artes Paulo Freire – AMLAPF, sob a condução do seu Presidente, Educador José Alex Trajano dos Santos, pensado e repensado por várias mentes e corações, trocando e construindo saberes, e, graças à união e colaboração de todos e todas os/as envolvidos/as, superamos todas as expectativas, com uma audiência recorde de aproximadamente 12.000 mil visualizações, nos dias 19, 20, 21 e 22 de outubro e 04 e 05 de novembro. Foi realmente um sucesso!

Expoente da educação brasileira, Paulo Freire, com sua mansuetude ao falar, dignificou a forma de ensinar traduzindo-a como “um ato de amor” e de “impregnar-se de sentido” dando ensejo para a compreensão do inédito-viável e a tomada de consciência de que nós, os humanos, somos seres inacabados, na certeza de que: “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens e mulheres se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.

Os palestrantes dialogaram e debateram com os expectadores, instigando-os com muita criticidade e coerência, tendo como enfoque a atual conjuntura educacional do Brasil e a influência da Filosofia-Humanística-Epistemológica-Freireana no campo da educação não somente no Brasil, mas além das fronteiras, em outras regiões do mundo, como disse a Professora Ana Mae Barbosa[1] (2021) “Paulo Freire foi um nômade da educação”.

As professoras, Drªs. Lisete Regina Gomes Arelaro (in memoriam) e Ana Maria Araújo Freire – Nita Freire, viúva de Paulo Freire, discorreram com muita sabedoria sobre a “Atualidade do pensamento de Paulo Freire”, e fizeram de suas falas, no dia 19/10, uma rica fonte de informação, inspiração e saber, já que a práxis pedagógica Freireana, deve ser sempre renovada pelos seus estudiosos-discípulos e não copiada, já que se renova dia após dia, como uma engrenagem de absoluta precisão, em seu “moto-contínuo”.

Já no dia 20/10, o Professor Dr. Dermeval Saviani mostrou Paulo Freire - antes de qualquer coisa - como um intelectual coerente, bastante crítico, e, sobremodo, atual; enquanto a professora Dra. Ana Mae Barbosa ateve-se a discorrer sobre a boniteza e a estética das grandes descobertas que o ensino pode proporcionar reciprocamente aos educandos e educadores, sob a visão conceituada de Paulo Freire, com quem teve a oportunidade de conviver em sua trajetória.

A importante explanação dialogística da Professora Dra. Maria do Rosário Longo Mortatti, que no dia 21/10 falou com bastante propriedade sobre a leitura da “palavramundo”, e o conceito da Filosofia Freireana, tornou claro que essa Filosofia é o caminho que nos possibilita a ação-reflexão-ação e que a educação precisa ser um ato eminentemente político-ético-conscientizador-dialógico. O Professor Dr. Paolo Nosella também trouxe importantes reflexões sobre um desabafo de Paulo Freire em dezembro de 1985 e o clima de interesse atiçava cada vez mais a curiosidade do grande público, atento a esses notáveis momentos de descobertas-viáveis.

No dia 22/10, a Professora Dra. Sônia Maria Portella Kruppa, com uma pitada de sal e pimenta, aguçou e instigou a criticidade e participação do público, envolvendo a todos em seu discurso, versando em como os professores das décadas de 60 e 70 no Brasil, construíram Paulo Freire de uma forma peculiar e interessante, dando ênfase ao grande casal de educadores Vera Barreto e Barretão. Outrossim, nessa mesma data, o Vereador Eduardo Matarazzo Suplicy, nos apresentou um discurso inteligente e inflamado, sobre os instrumentos de políticas econômicas para a construção de uma sociedade justa e civilizada, tendo como fulcro de sua palestra, a boa educação para todos e a renda básica de cidadania universal, dando uma verdadeira aula de entusiasmo e competência político-educativa.

Bastante abrangente o conteúdo da palestra do Dr. Oscar Jara Holliday, que, no dia 04/11, expôs a relevância e fundamentação do pensamento Freireano na Educação Popular difundida na América Latina.  Seguiu-se a esse genial discurso, a fala interessantíssima do Professor Pedro de Carvalho Pontual que falou sobre educação e política, em como devem seguir paralelamente, já que a educação tem intrinsicamente a essência política e a política, em contrapartida, é um dos principais pilares da educação para que um país cresça e se desenvolva educativamente-consciente em seus desafios para um novo tempo.

O evento teve tão grande alcance e interesse, que se decidiu pela inclusão de mais um dia de palestras, desta vez no dia 05/11 versando sobre a dialogicidade- matemática e etnomatemática, tão erroneamente mal-entendida e comentada por tantos, que desconhecem que Paulo Freire que também era um excelente matemático em suas “visões de mundos”. Foram convidados dois grandes educadores para falarem e discorrerem de forma elucidativa-questionadora, sobre a complexidade do assunto. A professora Mestra, Regina Célia Santiago do Amaral Carvalho, em sua exposição, abordou com muita propriedade “A dialogicidade na aprendizagem da Matemática numa perspectiva Freireana” certamente trazendo à luz dos saberes de todos e todas que a assistiam, uma realidade ainda por poucos conhecida. Não menos brilhante, o Professor Márcio D’Olne Campos fez uma exposição detalhadíssima de extrema excelência, de alguns aspectos abordados por Paulo Freire por ocasião de suas aulas, com o tema “Saberes Suleados – conceito desenvolvido pelo próprio Professor Márcio e adotado por Freire com sua autorização - escritas e leituras de mundos,” fechando assim, com Chave de Ouro, o Evento Dialogando com Paulo Freire: novos desafios para um novo tempo.

Na abertura e encerramento do evento, foi entoado o Hino “Faça-se Ouvir a Voz de Paulo Freire” em homenagem ao grande mestre, de autoria da Educadora Popular, compositora e escritora acadêmica, Mírian Warttusch - nome artístico de Míriam Baltaduonis - tendo como coautor, o Professor José Alex Trajano dos Santos, hino esse composto por ocasião da criação e outorga da Medalha Educador Paulo Freire, em 2019, que foi oficializada sob Decreto 8.597/2019, visando homenagear e galardoar professores/as e figuras ilustres que tiveram destaque na educação e cultura do nosso povo. Outros artistas, abrilhantaram, com sua presença, as aberturas culturais nas noites em que ocorreu o evento.

Em paralelo foi lançado um edital para receber e passar por submissão, trabalhos e relatos de práticas pedagógicas de educadores populares e profissionais da educação em geral, que se coadunam com a proposta Freireana. Recebemos, no total, 61 trabalhos, oriundos de diversas regiões do Brasil, dos quais 50 foram aprovados para serem publicados como Edição Especial - DOSSIÊ da Revista Cogitare, pertencente ao Instituto Federal de Educação de São Paulo - IFSP - Câmpus Matão, parceira da ACECTS neste evento, o que contribuiu para o êxito e resultados alcançados.

Os trabalhos aprovados, em sua grande maioria, são Relatos de Experiências, vivenciadas e experimentadas no chão da sala de aula, que tiveram como lume a essência Freireana e reafirmam o compromisso ético-político daqueles e daquelas que lutam por uma educação justa, igualitária, ontológica, pragmática, peremptória, equânime, libertadora, transformadora e emancipadora, fazendo-se mister elucidar que: “Não há saber menor, ou saber maior, há saberes diferentes” e são esses saberes que nos possibilitam pensar, repensar, transmutar e buscar a renovação do amanhã, planejando o hoje. Destarte, lhes convidamos a conhecerem as primorosas obras deste dossiê.

 

[1] Como pode ser visto em vídeo publicado no YouTube, através do canal ACECTS, no dia 20 de out. de 2021. Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=EO1YHK1Yvaw&t=6232s.

 

Referências

FREIRE. P. Pedagogia do Oprimido, 17. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

______. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

Publicado
2022-06-20